Blog do Julio Falcão

Agosto 21 2010
publicado por Julio Falcão às 08:20
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Agosto 14 2010
publicado por Julio Falcão às 10:09

Agosto 13 2010

Dilma abre oito pontos sobre José Serra, aponta Datafolha

 

13 de agosto de 2010 20h48 atualizado às 20h57

 

 

A nova pesquisa Datafolha, divulgada a quatro dias do início do horário eleitoral na televisão, que começa em 17 de agosto, aponta a candidata Dilma Rousseff (PT) com 41% das intenções de voto, oito pontos à frente do adversário tucano José Serra, que registra 33%. No levantamento divulgado nesta sexta-feira (13), a candidata do PV, Marina Silva, se manteve estável com 10%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

 

Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada entre os dias 20 e 23 de julho, com 10.905 entrevistados, Serra estava com 37% e Dilma com 36%, tecnicamente empatados de acordo com a margem de erro de dois pontos percentuais. Marina tinha 10%.

 

No levantamento divulgado nesta sexta, os candidatos Plínio de Arruda Sampaio (Psol), Zé Maria (PSTU), Ivan Pinheiro (PCB), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Pimenta (PCO) foram incluídos na pesquisa, mas não pontuaram. O percentual de eleitores que vota branco ou nulo ficou em 5%, enquanto os indecisos são 9%.

 

Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o da última pesquisa: a petista tem 49% contra 41% do tucano. Brancos e nulos ficaram em 5%, mesmo percentual de indecisos. Na sondagem anterior, publicada no final do mês de julho, Dilma ficava numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tinha 46% contra 45% do tucano.

 

Encomendada pelo jornal Folha de S. Paulo e pela Rede Globo, a pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12 de agosto, com 10.856 entrevistados, em 382 municípios, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 6 de agosto de 2010, sob o número 22734/2010.

Fonte: Terra

publicado por Julio Falcão às 23:06
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Agosto 13 2010

13/08/2010 - 06h51

Dos presidenciáveis, Serra é quem tem mais processos

Levantamento do Congresso em Foco analisou todas as 222 certidões que foram entregues ao TSE pelos nove candidatos à Presidência e seus vices. Temer, vice de Dilma, responde a três ações judiciais

 

Dos presidenciáveis e seus vices, Serra, Temer e Eymael são os três que apresentaram certidões judiciais positivas

Por Thomaz Pires

 

Levantamento do Congresso em Foco sobre as certidões judiciais dos presidenciáveis mostra que o tucano José Serra é quem mais responde a processos. De acordo com as certidões que ele mesmo apresentou, são 17 processos declarados à Justiça Eleitoral. Ao todo, foram analisadas as 222 certidões entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos nove postulantes à Presidência da República e respectivos vices. Michel Temer (PMDB), vice da candidata petista Dilma Rousseff, aparece com três ações judiciais. José Maria Eymael, candidato a presidente pelo PSDC, tem duas certidões positivas. Os demais candidatos à Presidência apresentaram certidões negativas, ou seja, que informam não haver processos contra eles.

Uma norma da legislação eleitoral obriga todos os candidatos a cargos eletivos a apresentarem, no ato do registro das suas candidaturas, certidões que informem a sua situação judicial, se respondem a processos e qual a situação de cada um deles. Sonegar essas informações, conforme a legislação, implica crime eleitoral. A novidade neste ano é que as declarações tornaram-se públicas, e estão sendo divulgadas na página do TSE.

 

Improbidade administrativa

Na disputa presidencial, o caso que mais chama atenção é o de Serra. Além das 17 certidões positivas, ele soma três processos ativos, todos por improbidade administrativa. Os casos correm na Justiça Federal do Distrito Federal e referem-se ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer).

O Proer foi um programa implementado no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso para sanear instituições financeiras que enfrentaram dificuldades na virada do período de hiperinflação para o início do Plano Real. Na época, Serra era o ministro do Planejamento. As ações envolvem diversas pessoas que tiveram algum grau de responsabilidade nas decisões relativas ao Proer. Os nomes mais conhecidos são  Serra e do então ministro da Fazenda, Pedro Malan. As ações questionam a assistência prestada pelo Banco Central,  no valor de R$ 2,975 bilhões, ao Banco Econômico S.A., em dezembro de 1994, assim como outras decisões - relacionadas com o Proer - adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Conforme verificado, já houve uma decisão monocrática (ou seja, de um único juiz) em favor da denúncia. A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, considerou que houve dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso. 

O candidato do PSDB à Presidência da República também responde por crimes de imprensa, calúnia e injúria, em ações ajuizadas pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Em uma delas, o ex-presidente do PT  Ricardo Berzoíni é o autor das denúncias, que foram recebidas pela Justiça do estado de São Paulo e se encontram em andamento.

O Congresso em Foco entrou em contato telefônico com a assessoria de José Serra, por duas vezes, nos últimos dias, para colher alguma manifestação do candidato sobre o assunto. A reportagem também  encaminhou por e-mail uma mensagem detalhada, listando todos os casos, e solicitando esclarecimentos. Não houve qualquer retorno.

Veja aqui as certidões apresentadas por José Serra

Fonte: Congresso em Foco

publicado por Julio Falcão às 22:51
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Agosto 13 2010
publicado por Julio Falcão às 18:19

Agosto 11 2010

Especialista em pesquisas faz previsões sombrias para Serra

O cientista político Alberto Carlos de Almeida, sócio-diretor do Instituto Análise e autor do livro “A Cabeça do Eleitor”, está distribuindo para seus clientes uma análise, em inglês, com previsões catastróficas para a campanha do candidato tucano, José Serra. Para Almeida, que já foi visto como muito próximo aos tucanos, a candidata do PT, Dilma Rousseff, tende a vencer a eleição no primeiro turno e por uma lavada de votos em relação a Serra – uma vantagem de 15 a 20 pontos percentuais.

 

Na análise distribuída aos seus clientes, Almeida faz carga contra a estratégia de marketing de Serra. Para ele, repete os mesmos erros da campanha do tucano Geraldo Alckmin em 2006 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (a equipe de comunicação das duas campanhas é a mesma, liderada pelo jornalista Luiz Gonzalez). Em 2006, segundo pesquisas feitas pelo Instituto Análise, Alckmin era visto pelos eleitores como o mais experiente, o mais preparado para o cargo e o mais comprometido em resolver os problemas da saúde pública. Mesmo assim, perdeu, por uma margem de 20 pontos, a eleição para Lula porque o presidente era visto como o candidato que entendia os problemas dos pobres e iria aumentar a capacidade de consumo.

O mesmo padrão de imagem dos candidatos, segundo a análise de Almeida, está se repetindo agora na eleição de 2010. Serra é percebido como mais preparado e experiente do que Dilma e também como o mais empenhado com a questão da saúde. Mas a petista teria adquirido a imagem imbatível de que é a candidata que vai colocar mais dinheiro no bolso dos eleitores.

Arko Device:  Dilma tem potencial para chegar a quase 70% dos votos

Em outro estudo, disponibilizado nesta segunda-feira (9), a respeitada consultoria política, Arko Advice, fez uma análise sobre até que ponto o presidente Lula consegue transferir seus votos para sua candidata, Dilma Rousseff.

Para calcular o potencial de transferência de voto do presidente Lula, a Arko Advice analisou o que Lula conseguiu transferir para ele mesmo em 2006 quando disputou a reeleição. "Importante frisar que dificilmente Lula conseguirá transferir para a sua candidata 100% do seu prestígio, já que não conseguiu nem para si este feito em 2006", adverte a consultoria.

Em agosto daquele ano, segundo pesquisa Ibope (7 a 9 de agosto), Lula tinha 46% das intenções de voto. Nesse mesmo período, 56% dos eleitores afirmavam que aprovavam o seu governo. Ou seja, a cada 1,21 eleitor que aprovava seu governo, 1 votou no presidente.

Hoje, de acordo com a última pesquisa Ibope (2 a 5 de agosto), 85% dos eleitores aprovam o governo Lula. Assim, no melhor cenário possível onde ele consiga transferir todo o seu prestígio para Dilma, ele chegaria a 69,82% dos votos. Considerando que Dilma tem, segundo o mesmo levantamento, 39% dos votos, ela ainda tem potencial para conquistar mais 30% dos votos. Vale ressaltar que, de acordo com último levantamento do Datafolha, 24% dos eleitores ainda não sabem quem é a candidata do presidente.

Ainda de acordo com essas projeções, Dilma ainda tem potencial para crescer em todas as regiões do País. No Nordeste, por exemplo, onde a aprovação do governo atinge 91%, Dilma pode sair dos atuais 46% para 81,24% em um cenário onde Lula consiga transferir para ela todo seu prestígio.

Até mesmo nas regiões Sul e Sudeste, onde José Serra (PSDB) é mais forte, ainda há espaço para crescimento.

Na avaliação da Arko, Lula ainda não atingiu seu limite de transferência. Ela ainda tem potencial para crescer mais considerando que: 1) o governo tende a continuar bem avaliado; 2) Lula deve envolver-se ainda mais na campanha; 3) Dilma terá mais tempo de TV do que Serra; 4) Desde que começou a campanha, Dilma tem apresentado melhor performance nas pesquisas; e 5) Dilma recebe mais doações que Serra.

"No que pese a imprevisibilidade de qualquer eleição, este quadro reforça nossa avaliação sobre o favoritismo de Dilma", diz a empresa de consultoria.

Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 00:35
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Agosto 09 2010

Sem garantia de público, Serra descarta ida a grandes comícios

Candidato tucano à Presidência da República, José Serra deixou de lado a pretensão de reunir grandes multidões em comícios Brasil afora. Integrantes de sua equipe de campanha revelaram que a preferência do líder do PSDB será mesmo as caminhadas e o contato direto com os eleitores, além de encontros com públicos específicos, como líderes femininas ou assistentes sociais.

 

O vice na chapa de Serra, deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), disse a jornalistas que o processo de comunicação da campanha tucana busca se diferenciar e atingir o eleitor de diferentes maneiras, sem “shows”, como ele define os comícios de Dilma e Lula.

– Hoje em dia é diferente, aquela passeata dos 100 mil (ocorrida em 1968, contra a ditadura militar), talvez tivesse 10 mil hoje em dia. O próprio comício deles (PT) lá no Rio de Janeiro foi um fiasco. Disseram que iam 100 mil e só foram mil – critica o representante da extrema-direita. Apesar da chuva torrencial no dia do comício a que se referiu Índio da Costa, segundo dados da Polícia Militar do Estado do Rio, havia mais de 15 mil pessoas na Cinelândia.

Para o candidato a vice, a internet tem sido uma arma poderosa de convencimento da campanha tucana.

– Nossa tática é mostrar nossas propostas e que nós somos capazes de levar a eles o que eles precisam – acrescentou, em conversa com jornalistas.

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), responsável por coordenar a agenda de eventos do tucano, no entanto, contradiz o candidato a vice de Serra. Ela afirma que os comícios não estão descartados, embora a campanha não tenha nenhum agendado até o momento.

– O fato de o Serra não fazer (comício) não quer dizer que não vá ter, mas não é prioridade. No estilo de ação dele, a preferência são para encontros diretos com a população, palestras e eventos fechados – rebate.

A agenda de Serra, segundo Marisa, é definida de acordo com os convites que o presidenciável recebe dos correligionários nos Estados. Na semana que vem ele vai à cidade portuária de Paranaguá (PR) ao lado do candidato tucano ao governo, Beto Richa, para falar de portos. 

Serra já esteve no Paraná no início da campanha. Fez uma caminhada nas ruas do centro de Curitiba, sendo acompanhado por cerca de 500 pessoas, a maioria funcionários públicos da prefeitura. Semanas depois, a candidata petista Dilma Rousseff fez um comício no mesmo local e atraiu um público estimado em 20 mil pessoas.

Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 18:15
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Agosto 08 2010

 

Por Paulo Henrique Amorim

Quem vem lá ? É a classe média !

Quem vem lá ? É a classe média !

 

Um fenômeno que os tucanos de São Paulo não perceberam foi, ao lado da ascensão das classes “D” e C” a partir de 2002 – clique aqui para ler “Como o Lula tirou o oxigênio do Serra” –,  a despolitização dessa trajetória.

 

A Classe Média engordou sem precisar mover uma palha política.

 

Não foi a uma reunião de sindicato.

 

Não foi a uma reunião da associação dos moradores.

 

Não fez panelaço.

 

Não fez greve geral.

 

Não fechou o Palácio dos Bandeirantes.

 

Não cercou o Congresso.

 

Não botou a Globo para correr.

 

Os argentinos morrem de rir.

 

A Classe C engordou porque o Lula pôs alpiste.

 

Pagou um salário mínimo mais decente.

 

Remunerou os aposentados.

 

Fez o crédito consignado.

 

Pagou o Bolsa Família.

 

Botou a criançada para estudar.

 

Levou os negros e pobres às faculdades privadas, com o Pro Uni.

 

Abriu universidades.

 

Vai democratizar o acesso à faculdade com o ENEM (que o PiG boicota incansavelmente).

 

Deu Luz para Todas (que o Serra não sabe o que é).

 

O Lula vai criar 2 milhões de emprego este ano.

 

Clique aqui para ver a tabelinha que compra FHC com Lula e entenda uma das causas do choro do Serra.

 

O Lula foi um paizão.

 

Reproduziu o Vargas.

 

E é por isso que não há uma única Avenida Presidente Vargas em São Paulo.

 

Como não haverá uma Avenida Presidente Lula em São Paulo.

 

E aí, nessa despolitização, é que reside o problema.

 

Como diz o meu cunhado, o Dany, com quem almocei no excelente Alfaia, um português de Copacabana.

( O bolinho de bacalhau quica.)

 

O que mais impressiona o Dany é a absoluta despolitização do Brasil.

 

Logo, a despolitização deste impressionante fenômeno de mobilidade social.

 

A Classe Média é incapaz de perceber – observa o Dany – que a ascensão só foi possível porque uma houve uma importante vitoria política: o Lula tirou o oxigênio da neo-UDN, os tucanos de São Paulo, que se tornaram a locomotiva do atraso ideológico.

 

Dany observa, com razão, que boa parte de despolitização se deve ao papel destruidor da imprensa (aqui entrei eu, com o PiG (*), é claro), que além de ser reacionária é inepta.

 

Na Europa, como se sabe, há excelentes jornais que conciliam qualidade com conservadorismo.

 

Aqui, isso não aconteceu.

E se a classe média sobe sem saber por quê, o que acontece ?

 

Me perguntei no avião de volta, ao deixar o Rio maravilhoso para passar sob o Minhocão …

 

O que acontece ?

 

A classe média pode ir perfeitamente para o Berlusconi.

 

Aliás, a classe média é a massa com o Berlusconi faz a pizza.

 

E, como diz o Mino Carta, a Dilma não é metalúrgica.

 

Essa camada proletária, sindical será removida com o tempo.

 

E a classe média não se lembrará de associar a TV digital ao estádio da Vila Euclides.

(Seria exigir demais, não, amigo navegante ?)

 

Ou seja, o carisma do Lula  passará a ser by proxy.

 

E quando o Golpe vier ?

 

Porque o Golpe contra presidentes trabalhistas sempre vem.

 

E quando o PiG (*) se associar a um Líder Máximo do Estado da Direita, que pode vir do Judiciário ?

 

Quem é que vai para a rua defender a Dilma ?

 

A Classe Média ?

 

O Globo, na página A10, em reportagem do sempre excelente José Meirelles Passos, bate na trave.

Mas não chega lá – ainda.

 

Já, já a Classe Média dá uma rasteira no Lula e no PT.

 

Quem mandou tirar o povo da rua ?

 

Tudo isso, se a Dilma não fizer nada.

Fonte: Conversa Afiada


publicado por Julio Falcão às 23:15
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Agosto 03 2010

Só Hitler foi capaz de ir tão longe – e tão fundo.

Esse Uribe, queridinho do PiG (*), transformou as FARC no Iraque do Bush e deixou o Exército e os Exércitos Privados transacionarem com o trafico e massacrar os camponeses.

Clique aqui
para ler “PiG cansa do jenio e põe o Uribe no lugar”.

Clique aqui para ler no New York Times deste domingo, a “Nação da Cocaína”.

Conversa Afiada publica texto enviado pela amiga navegante Marilia

Encontrada na Colômbia a maior vala comum da América Latina

Recentemente, na Colômbia, foi descoberta a maior vala comum da história contemporânea do continente latino-americano, horrenda descoberta que foi quase totalmente invisibilizada pelos meios de comunicação de massa na Colômbia e no mundo. A vala comum contém os restos de ao menos 2.000 pessoas e está em La Macarena, departamento de Meta. Desde 2005, o Exército, espalhado pela zona, enterrou ali milhares de pessoas, sepultadas sem nome.

A reportagem está publicada no sítio colombiano Cronicón, 29-07-2010. A tradução é do Cepat.

A população da região, alertada pelas infiltrações putrefatas dos cadáveres na água potável, e afetada pelos desaparecimentos, já havia denunciado a existência da vala em várias ocasiões ao longo de 2009: havia sido em vão, pois a fiscalia não realizava as investigações. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em dezembro de 2009, que se conseguiu trazer à luz este horrendo crime perpetrado pelos agentes militares de um Estado que lhes garantia a impunidade.

Trata-se da maior vala comum do continente. Dois mil corpos em uma vala comum, isso é um assunto grave para o Estado colombiano, mas sua mídia, e a mídia mundial, cúmplices do genocídio, se encarregaram de mantê-lo quase totalmente em silêncio, quando para encontrar uma atrocidade parecida é preciso remontar às valas nazistas. Este silêncio midiático está sem dúvida vinculado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali se gestam em base aos massacres.

A Comissão Asturiana de Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em janeiro de 2010 (menos de um mês depois da descoberta da vala), perguntou às autoridades sobre o caso. As respostas foram preocupantes: na fiscalia, na procuradoria, no Ministério do Interior, na ONU, todos tentam se esquivar do assunto. E enquanto isso, tratam de “operar” a vala para minimizá-la, mas a delegação britânica a constatou, e as próprias autoridades reconheceram ao menos 2.000 cadáveres. Em dezembro, “o prefeito, aliado do governo, o denunciou também junto ao sepulteiro”, mas depois, as pressões oficiais tendem a fazer “diminuir suas apreciações sobre o número de corpos”.

A Delegação Asturiana denunciou a ostensiva vontade de alterar a cena do crime: “ninguém está protegendo o lugar. Ninguém está impedindo que se possam alterar as provas. Que um trator possa entrar e voltar a misturar os cadáveres anônimos, a tirá-los e levá-los para outro lugar”. “Solicitamos às instituições responsáveis do Governo e do Estado colombiano que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registradas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias com a finalidade de assegurar o perímetro para prevenir a modificação da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório que ali se encontra (…) É fundamental a criação de um Centro de Identificação Forense em La Macarena com a finalidade de conseguir a individualização e plena identificação dos cadáveres ali sepultados”.

A Delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades aduziram desconhecimento, e alegaram incapacidade operativa: “há tantas valas comuns em nosso país que…”. Trata-se do município de Argelia em Cauca: “Um ‘matadouro’ de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos de seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram entrar novamente em suas comunidades: deslocaram os sobreviventes”. As vítimas sobreviventes relataram: “havia pessoas amarradas que soltavam aos cachorros esfomeados para que os assassinassem pouco a pouco”.

Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado colombiano, combinada com a ação de policiais e militares, foi o instrumento de expansão de latifúndios. O Estado colombiano desapareceu com mais de 50.000 pessoas através de seus aparelhos assumidos (policiais, militares) e de seu aparelho encoberto: sua Estratégia Paramilitar. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra classista contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar se inscreve nessa lógica econômica.

A invisibilização de uma vala comum das dimensões da vala de La Macarena se inscreve no contexto de que os negócios de multinacionais e oligarquias se baseiam nesse horror, e em que esta vala seja produto de assassinatos diretamente perpetrados pelo Exército nacional da Colômbia, o que prova ainda mais o caráter genocida do Estado colombiano em seu conjunto (para além do seu presidente Uribe, cujos negócios e vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais do que comprovados).

A cumplicidade da grande imprensa é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Os povos devem romper o silêncio com que se pretende ocultar o genocídio. Urge solidariedade internacional: a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto.

Fonte: Conversa Afiada

publicado por Julio Falcão às 00:44
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Julho 31 2010

Carta Capital n˚ 607

 

Ignorar a história, uma saída rasteira – por Wálter Fanganiello Maierovitch

 

Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo

 

Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.

 

O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.

 

A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.

 

Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.

 

Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), "taxa"de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de "imposto de circulação" gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.

 

Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: "A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios".

 

Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de "Paz, Justiça e Liberdade" e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.

 

Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.

 

Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, "este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política".

 

A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.

 

À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.

 

Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.

 

Os conservadores tinham por lema "Deus, pátria e família". Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado "gaitanismo"lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.

 

Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.

Fonte: Nassif

publicado por Julio Falcão às 14:39

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