Blog do Julio Falcão

Outubro 20 2009
Jornalismo porco: Folha vai além do desapego à verdade factual

A partidarização da mídia brasileira vai além do desapego à verdade factual. Temos jornalistas que, em nome de contemplar "os dois lados", simplesmente se deixam usar para fazer propaganda política.

Por Luiz Carlos Azenha, no blog Vi o Mundo

O caso envolvendo Lina Vieira é apenas a demonstração mais recente disso. A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, usou uma entrevista à Folha de S.Paulo para propagar a versão de um encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O ônus da prova cabia a ela, Lina. Ao depor no Congresso, Lina Vieira não forneceu provas factuais ou testemunhais sobre o que disse na entrevista.

Ou seja, a mídia transformou um factóide em um fato. Fez isso em nome dos partidos de oposição, numa clara estratégia para avançar os interesses partidários.

O factóide ganhou novo fôlego com o surgimento repentino da agenda de Lina Vieira. O encontro, segundo anotação na agenda, teria sido no dia 9 de outubro de 2008 (essa é, pelo menos, a versão da revista Veja). Não é a data anunciada anteriormente por Lina Vieira a senadores da oposição.

Quem é que fez a acusação sem apresentar provas, que se "esqueceu" da agenda e que aparentemente mudou de versão? Lina Vieira. A mídia, no entanto, continua assumindo como verdadeiras as declarações dela. Continua fazendo claramente o jogo dos partidos de oposição.

O fato é que não há novidade no encontro entre Dilma e Lina no dia 9 de outubro. O encontro, um de muitos entre as duas, havia sido admitido anteriormente no depoimento oficial de Lina ao Congresso.

Está lá, no questionamento feito a Lina pelo senador Aloizio Mercadante.

Lina diz claramente que naquele encontro tratou com Dilma de um fórum de empresários realizado em São Paulo.

Mas a mídia faz de conta que não viu.

Olhem só esse texto da Folha Online:


19/10/2009 - 15h00
Após aparecimento de agenda, oposição vai convidar Lina para falar de encontro com Dilma

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 15h13.

A oposição vai protocolar esta semana na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado requerimento com o convite para que a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira preste depoimento à comissão.

Os oposicionistas querem que a ex-secretária confirme se achou a agenda em que teria anotado o dia em que diz ter se encontrado com a ministra Dilma Rousseff —no qual a ministra teria pedido para a Receita agilizar investigações sobre familiares do senador José Sarney (PMDB-AP).

"Estamos tentado fazer com que a maioria aceite que ela venha como convidada, a fim de que possam confrontá-la e estabelecer o contraditório com o que ela possa dizer agora de posse da sua agenda", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Na opinião do tucano, a ministra mentiu ao negar ter se encontrado com a ex-secretária para pedir o fim das investigações sobre familiares de Sarney.

"Está ficando como uma marca registrada do governo a mentira como arma para blindagem da sua popularidade. Não é a primeira vez que isso ocorre envolvendo a ministra Dilma. Mentira é arma utilizada pelo governo para encobertar determinadas irregularidades", afirmou Dias.

Segundo a oposição, a agenda com anotação do encontro que diz ter tido com a ministra reabre o caso sobre a suposta ação do governo para "agilizar" as investigações sobre a família Sarney.

Na agenda que Lina diz ter encontrado, há menção a uma audiência com Dilma na página de 9 de outubro de 2008. Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina.

Em 19 de agosto, dez dias depois de ter feito a acusação em entrevista à Folha, Lina depôs no Senado. Ela confirmou sua versão e deu mais detalhes. Tanto a ministra como Lula negaram as acusações e desafiaram a ex-secretária a apresentar provas da data exata do encontro.


*****

"Nessa data, há de fato registro no Planalto da entrada de Lina", diz a Folha. O que a Folha não diz é que não se trata de novidade. Quando Lina depôs ao Congresso o senador Mercadante mencionou vários encontros de Dilma e Lina, com as devidas datas.

Diz a Folha: "Segundo a ex-secretária, o encontro foi chamado por Dilma e teve um só tema: um pedido para ‘agilizar’ a investigação do fisco nos negócios da família de Sarney, aliado do governo Lula e hoje presidente do Senado."

Mas a Folha não diz que no encontro de 9 de outubro, conforme descrito pela própria Lina no depoimento ao Senado, ela afirma que tratou com a ministra de um único assunto: um fórum de empresários.

Será que a Folha não assistiu ao depoimento de Lina? Não teve acesso à transcrição?

É inacreditável que o jornal continue bancando um factóide reciclado, sem qualquer compromisso com a verdade factual, sem questionar as múltiplas versões apresentadas por Lina e, acima de tudo, desprezando a inteligência de seus próprios leitores. A Folha se tornou um jornal vergonhoso.

Transcrevo o trecho do depoimento:


Aloizio Mercadante: Quantas audiências a sra. teve com a ministra Dilma Rousseff?

Lina Vieira: Acredito que, em reuniões, particular apenas esta. Em outras reuniões eu acredito no máximo três.

Mercadante: Quanto?

Lina: No máximo três.

Mercadante: No máximo três... Bom, o que eu tenho aqui é no dia 14 de agosto a sra. teve uma audiência, no dia 9 de outubro a sra. teve uma audiência, tratando do Forum dos CEOs que se realizaria no dia 10 de outubro. No dia 22 de janeiro a sra. teve uma audiência com a presença da ministra Dilma. No dia 16 de fevereiro a sra. teve uma audiência com a ministra Dilma, no dia 6 de maio a sra. teve uma audiência com a ministra Dilma, no dia 19 de maio a sra. teve audiência com a ministra Dilma, para citar algumas, é muito mais do que duas ou três. Parece que a memória da sra. não é tão rigorosa quanto as informações que eu tenho.

Lina: Não, não. Pode até constar da agenda, mas eu tive um encontro em São Paulo no dia 9 de outubro, no dia 10, eu viajei no dia 9, para essa reunião de CEOs, foi em São Paulo essa reunião. Depois eu tive um encontro para tratar da... da... do... Minha Casa, Minha Vida.

Mercadante: 22 de janeiro.

Lina: Minha Casa Minha vida, eu não lembro a data, não estou com a minha agenda oficial aqui. E uma outra de construção dessa, nós tivemos duas reuniões aí para construção de que assuntos seriam abordados.

Mercadante: Só essas três?

Lina: Que eu me lembre, assim, no máximo três reuniões.
Fonte: Vermelho

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publicado por Julio Falcão às 18:58
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Outubro 15 2009
Não existe nada mais hilário do que presenciar a inoperante e fraca oposição pedindo explicações sobre a viagem de Lula à região do Rio São Francisco depois da ida do Serra ao Nordeste. Serra usa o dinheiro do Estado de São Paulo para fazer política e essa fraca oposição finge que não vê.

Não passam de um bando de aproveitadores sem rumo.

Vejam como essa fraca oposição está perdida:

Oposição cobra explicações sobre viagem de Lula ao Nordeste e critica ritmo de campanha

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publicado por Julio Falcão às 23:24
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Outubro 06 2009
Olimpíada, Honduras… Urubuzada perde o rumo

O Lula vai quebrar a cara em Honduras! Vai correr sangue nas ruas de Tegucigalpa e ele será o culpado! O Lula vai tomar uma surra do Obama em Copenhague! Vai dar Chicago! Agora a popularidade do Lula vai despencar!

Pois é, amigos, foi uma atrás da outra. A urubuzada (nada a ver com a grande torcida do Flamengo, por favor!) jogou contra e perdeu todas, perdeu o rumo. Vocês já repararam? A oposição simplesmente sumiu de cena.

Em 2009, a turma do contra, representada por aqueles célebres 6% que reprovam o governo Lula, começou jogando tudo na crise econômica mundial, que quebraria o Brasil. O Brasil não só não quebrou como saiu da crise mais forte do que entrou.

Já nem me lembro de todas as crises do fim do mundo anunciadas durante o ano, mas tivemos depois a dengue, a crise do Senado, a gripe suína, a história da Lina, a CPI da Petrobrás, o diabo a quatro. E nada do Lula cair nas pesquisas.

A palavra crise não saía das manchetes, e nada. Quando a crise não era aqui, era em Honduras _ por culpa da política externa do governo brasileiro, claro. Agora que as coisas estão se acalmando por lá e tudo indica uma saída negociada com os golpistas devolvendo a Presidência a Manuel Zelaya, a urubuzada já está recolhendo os flaps.

Com a vitória do Rio para sediar a Olimpíada 2016 transmitida ao vivo de Copenhague, não teve jeito de esconder o importante papel do presidente Lula nesta conquista. Os 6% de inconformados e seus bravos representantes na imprensa e no parlamento devem ter entrado em profunda depressão. Por isso, sumiram _ pelo menos, por algum tempo.

Restam apenas alguns blogueiros histéricos e seus comentaristas amestrados blasfemando na janela, vendo as ruas em festa, os bares lotados em dia de semana, a indústria, a bolsa, o emprego e a renda crescendo novamente, a autoestima do brasileiro lá em cima, a vida seguindo alegre seu rumo.

Claro que sempre será possível fazer escândalo com qualquer coisa, como esta crise do Enem, uma história até agora muito mal contada, que vai atrasar a data dos vestibulares. E daí? Fora os candidatos e professores que irão perder alguns dias de férias, qual o drama para o restante dos brasileiros?
Fonte: Balaio do Kotscho

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publicado por Julio Falcão às 17:56
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Setembro 26 2009
O catecismo da conversão

Mauricio Dias

A migração dos esquerdistas para a direita é uma trajetória comum na história republicana brasileira, embora não seja um fenômeno exclusivo do Brasil como é, por exemplo, essa curiosa fruta nativa da Mata Atlântica chamada jabuticaba.

Os caminhos dessa conversão política são muitos. E não há problema que isso ocorra, principalmente, quando ex-comunistas, como o agressivo Roberto Freire, ou ex-guerrilheiros, como o delicado Fernando Gabeira, mudaram por acreditar que a democracia política é melhor. Melhor que qualquer autoritarismo que imaginaram melhor para viver.

Agressivo e delicado são dois adjetivos usados intencionalmente para explicar aos que eventualmente não sabem que Freire e Gabeira usaram armas diferentes contra a ditadura militar brasileira. Agressivo era Gabeira que optou pela ação armada. Delicado era Freire que se lançou na oposição política.

O ruim é quando esses ex-militantes de esquerda passam a servir à direita e se esquecem de todas as outras ideias nas quais acreditavam e pelas quais se batiam.

Roberto Freire fundou o Partido Popular Socialista, que nada tem de socialista e, muito menos, de popular. No programa partidário exibido dias atrás, ele pontuou todo o roteiro das falas em oposição ao governo Lula. Atacou, por exemplo, a taxação de cadernetas de poupança acima de 50 mil reais, cuja finalidade, exposta pelo governo, é a de bloquear a utilização dos benefícios da poupança pelos grandes grupos de investidores que migraram das aplicações em virtude da queda nos juros.

Um parlamentar do PPS, Fernando Coruja, com destaque no Congresso, atacou a proposta de Lula de consolidar as leis sociais e torná-las permanentes, como Getúlio Vargas fez com as leis trabalhistas. A entrevista do deputado foi publicada no mesmo jornal em que Lula deu uma entrevista de valor capital. Entre outras coisas, o presidente lembrou:

“Sou de um tempo de dirigente sindical que, quando a gente falava de salário mínimo, as pessoas já falavam logo de inflação. Nós demos, desde que cheguei aqui, 67% de aumento real para o salário mínimo e ninguém mais fala de inflação”.

Embora aliado de Freire, Gabeira segue por caminho diferente. Protegido pela importante capa do ambientalismo ele ataca com outro viés as regras fixadas pelo governo para a exploração do pré-sal. Ambos servem, hoje, à candidatura presidencial conservadora dos tucanos.

Aí é que o bicho pega. Um escritor português, o anarquista Manoel de Souza, tratou desse trânsito político, esquerda-direita, na Europa. “Muitos outros comunistas, maoístas e trotskistas (...) comeram na mesa dos condes e das marquesas, ou nos seus leitos, nas amenas praias mediterrâneas, em nome da reconciliação nacional e de um mundo melhor. Para eles, pelo menos.”

Alguém já disse que eles trocaram o desejo de salvar o mundo pelo oportunismo de salvar-se no mundo.
Sobre eles, o português Souza despejou uma velha e contundente expressão popular da língua portuguesa, não se referindo à mãe que os deu à luz, e sim à condição de oportunistas, “alguém em quem nunca se devia confiar nem deve confiar”.

A invenção não é mesmo nossa, mas, sem dúvida, há brasileiros dando grande contribuição para aperfeiçoar esse comportamento.
Fonte: Carta Capital

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publicado por Julio Falcão às 17:27
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Setembro 24 2009
Congresso promulga PEC dos Vereadores

Luciana Lima

Brasília - Em sessão solene, o Congresso Nacional promulgou há pouco a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 336/2009, conhecida como PEC dos Vereadores, que aumenta o número de vereadores em municípios de todo país.

Os municípios passarão a ter mais 7.623 vereadores. Com 380 votos a favor, 29 votos contrários e duas abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou na noite dessa terça-feira (22) a PEC. Com isso, o número de vereadores no país deve passar dos atuais 51.988 para 59.611.

A PEC também prevê que os efeitos serão retroativos a 2008. Assim, muitos vereadores eleitos no pleito passado, mas que ficaram como suplentes, poderão tomar posse. No entanto, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a Justiça Eleitoral comece a dar posse aos suplentes. A OAB considera a medida inconstitucional.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, também se mostrou contrário à posse dos suplentes de vereadores. No entanto, ele reconhece que a Justiça Eleitoral não terá outra opção a não ser empossar os suplentes a partir da promulgação da PEC, até que o STF decida sobre a constitucionalidade do texto.


“Como presidente do TSE, não na condição de julgador, lembro que já existe uma consulta formal, objeto de pronunciamento do mesmo TSE, versando exatamente sobre o tema da aplicabilidade imediata ou não de uma emenda constitucional que amplia o número de cadeiras parlamentares”, disse Britto.

De acordo com o presidente do TSE, a PEC "chegou tarde para entrar em vigor nesta Legislatura”. Ele lembrou que o TSE respondeu a uma consulta, em 2007, no qual era questionado se os efeitos da emenda só valeriam se ela tivesse sido aprovada antes do processo eleitoral.

“Nessa consulta, de junho de 2007, foi dito pelo TSE, de forma unânime, que a emenda constitucional não retroage. O novo número de cadeiras parlamentares fixadas por ela tem de ser submetido a uma convenção partidária, o que se dá entre 10 e 30 de junho do ano da eleição. Vale dizer, nos termos dessa consulta, que a emenda atual chegou tarde para entrar em vigor na corrente legislatura”, acrescentou.

Ontem, durante a votação em segundo turno da PEC, muitos suplentes de vereadores estavam na galeria do Senado. Durante a votação, o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), contrário ao aumento do número de vereadores, chegou a lembrar aos suplentes que a intenção de tomar posse era uma “ilusão”. Hoje, após a promulgação, os deputados e senadores cantaram o Hino Nacional e, logo em seguida, e o Parabéns pra Você para o presidente da Câmara, Michel Temer, que comemora aniversário.
Fonte: Agência Brasil

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publicado por Julio Falcão às 09:15
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Setembro 24 2009
Uma oposição sem lastro
24/09/2009 - 00:01

Por Mauro Santayana


Talvez, em seu natural entusiasmo pelos êxitos nacionais, o presidente Lula credite ao governo muito do que se deve ao povo brasileiro. Ao contrário daqueles que a desdenham, a nossa gente tem sido muito melhor do que a sua sofrida história, feita sob a opressão de elites, nacionais e estrangeiras, insensíveis, hedonistas, e, em alguns momentos, cruéis. A oposição deveria reconhecer que a presença de um trabalhador na chefia do Estado estimulou a esperança e, com ela, os esforços dos que sempre estiveram “do outro lado da estrada de ferro”, para lembrar a expressão norte-americana.

O discurso do presidente, ontem, na Assembleia Geral das Nações Unidas, foi pragmático e sóbrio, mas com a pontuação do orgulho que os fatos permitem. Não tivemos, no atual governo, gênios harvardianos, como os houve, para nosso desengano, em passado recente. Provavelmente por estar munido mais de dúvida do que de certezas, pôde o governo confrontar-se com as crises políticas e econômicas, e manter o país produzindo. Não obstante os êxitos administrativos, ainda persistem, na equipe econômica, resíduos do pensamento neoliberal. Só assim, podemos entender a decisão de ampliar, de 12,5% a 20%, a participação estrangeira no capital do Banco do Brasil, de acordo com o noticiário. Trata-se de um dos mais importantes instrumentos da política macroeconômica do Estado, como se tornou claro na crise recente. É óbvio que, quanto maior for a participação estrangeira no banco – mesmo sem direito a voto – menor será a margem de liberdade do governo. Se o presidente meditar o assunto, naturalmente reverá sua posição, se já a tomou. Lula tem combatido a abertura do capital da Petrobras aos estrangeiros, e com razão.

É provável que o governo tenha incorrido mais em erros políticos internos do que administrativos, na condução da sociedade. O presidente, por exemplo, não conseguiu superar o afeto pessoal por alguns de seus companheiros, em momentos de algumas escolhas republicanas. Voltando ao dia de ontem e a Nova York, seu discurso foi também corajoso, ao reafirmar a responsabilidade do Estado na orientação da economia, e debitar à falida ditadura do mercado os riscos que a comunidade internacional correu – e ainda corre – em decorrência da excessiva liberdade concedida aos operadores financeiros. O presidente está em seus melhores dias, diante do reconhecimento internacional do desempenho brasileiro, e dos resultados econômicos da opção pela distribuição de parcela da renda tributária aos mais pobres. Os números do Pnad e outros indicadores lhe dão razão.

Não há nada, no entanto, que favoreça mais o presidente Lula do que a oposição que as circunstâncias lhe arranjaram. Ela se agita, no Parlamento, e fora dele, como diminutas mariposas na teia da aranha. Ainda nestas horas, é bom exercício intelectual assistir à tentativa de tachar a atitude brasileira, no caso de Honduras, como irresponsável – quando o mundo inteiro a reconhece necessária e correta. O alvo maior é o Itamaraty. Alguns diplomatas já retirados da carrière, de notória vinculação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, orquestram seus ataques à equipe responsável pela política externa, falando dos riscos que o Brasil assumiu em Honduras, ao conceder refúgio ao presidente Manuel Zelaya. Ora, a vida de cada um de nós é sucessão permanente de riscos, e a vida dos Estados, uma instituição humana, não é diferente. Que diriam esses senhores se houvéssemos fechado os portões da embaixada e – o que era provável nas circunstâncias de Tegucigalpa – o presidente deposto tombasse assassinado na soleira do edifício, na fronteira do espaço conferido à soberania brasileira pelas regras diplomáticas internacionais? Não se preocupem: diriam que o Itamaraty fora irresponsável, ao não conceder o refúgio.

Quando Juscelino escolheu Israel Pinheiro para dirigir a companhia construtora de Brasília, os jornais da oposição disseram que o presidente fora leviano, ao nomear um “advogado” para a tarefa. Alguém sugeriu a Israel que revelasse sua condição de engenheiro. Astuto conhecedor da política, respondeu que não o faria. “Se eu disser que sou engenheiro, vão encontrar outro pretexto contra meu nome”.

O presidente deve agradecer também ao tartamudeio da oposição, dotada mais de preconceituosa arrogância do que de inteligência política, parte dos altos índices de popularidade interna e do respeito externo. O país merece melhor oposição.
Fonte: JB online

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publicado por Julio Falcão às 09:03
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Setembro 22 2009
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publicado por Julio Falcão às 22:06
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Setembro 22 2009
Mobbing: O perigo dos medíocres

A massa silenciosa se move ainda que não haja barulho, porque essa não é sua estratégia. Os medíocres não chegam a pensar tanto e só seguem sua própria e natural inércia. Porém isso sim: se camuflam atrás de sua mediocridade, sua ignorância e sua má educação, e desde essas trincheiras comuns, como as manadas de lobos, se agrupam e atacam. Atacam com, ignorância e estupidez, porém não com inteligência. Isso seria demasiado para eles. Alguns inclusive podem chegar a parecer preparados às vezes, mas se desmascara facilmente.

A subterrânea mobilização dos medíocres, sutilmente manipulada por pessoas com interesses obscuros e geralmente ilícitos, dado que não respeitam o próximo nem aos valores dos demais, tem condensado por fim em outra nefasta moda atual: O mobbing.

Os anglicismos são úteis, porque com uma só palavra designam todo um fenômeno. Neste caso o mobbing significa o assédio, desapiedado, dos que, desde sua falta de preparação, consciência, auto-estima, para destruir alguém que, merecidamente e por valores congruentes, está por cima deles.

Em sua pequena e retorcida mente, desfrutam de antemão de um dos poucos prazeres que se permite… O que não sabem é que esse pedestal, sim cai, pode cair por cima deles. Não são tão preparados para prevê-lo e nunca o serão.
Fonte do texto: Site Sua mente

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publicado por Julio Falcão às 21:46
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Setembro 22 2009
Brasil foi "chavista" ao dar abrigo a Zelaya, diz oposição
22 de setembro de 2009

Senadores da oposição criticaram nesta terça-feira o abrigo concedido pela embaixada brasileira em Honduras ao presidente deposto, Manuel Zelaya. Para os parlamentares, a concessão do abrigo em si pode ser vista de forma positiva, já a forma como Zelaya está na embaixada, acompanhado por seus apoiadores e, na visão deles, usando o espaço para realizar "comícios" é questionável e aponta para uma postura "chavista" do Brasil em questões internas de outros países.

"Conceder asilo é uma coisa, ficar fazendo comício dentro da embaixada brasileira, é outra. Temos que respeitar a autonomia, não podemos pegar a embaixada e deixar acontecer o que está acontecendo. Não podemos entrar nesse 'chavismo' de estar invadindo questões internas de outros países", disse o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

Para o líder tucano Arthur Virgílio (AM), o Brasil vinha conseguindo manter uma postura internacional de intermediar conflitos e a atitude pode prejudicar essa posição. "Temo que esta seja uma 'bola fora', um equivoco. O Brasil acaba se desqualificando como interlocutor porque não teve postura imparcial", disse Virgílio.

O clima na comissão chegou a esquentar quando o senador Heráclito perguntou ao embaixador Gonçalo Mourão, chefe do Departamento de América Central e Caribe no Ministério das Relações Exteriores, se o ministro Marco Aurélio Melo teria participado de alguma das conversas relativas a Zelaya. "Acho que o senhor deveria perguntar a ele senador, porque eu não sei", disse o embaixador.

Heráclito se irritou e rebateu: "o senhor não me mande fazer nada e me respeite", disse.

O presidente da comissão, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), disse que apesar de concordar que o Brasil não teria como negar o abrigo a Zelaya, é preciso ter cuidado para que o País não acabe criando um "complexo, uma concessão de que vai tomar conta do mundo".
Fonte: Terra

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publicado por Julio Falcão às 21:33
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Setembro 22 2009
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publicado por Julio Falcão às 14:14
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