Blog do Julio Falcão

Julho 30 2010

Ibope-TV Globo: Dilma 39% x Serra 34%

                                                   

 

Confirmado: Dilma Rousseff abriu cinco pontos de vantagem sobre José Serra na disputa pela Presidência, segundo pesquisa Ibope TV Globo. Dilma subiu três pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, feita em junho, e Serra caiu dois, confirmando a mesma tendência revelada pelo Vox Populi, que apontou oito pontos de vantagem para Dilma. Só o Datafolha insiste num empate técnico que já deixou de existir há muito tempo.

 

Segundo o Ibope, Dilma tem 39% das intenções de voto, contra 34% de Serra. Na simulação de segundo turno, Dilma tem 46% e Serra 40%. A pesquisa Ibope também ouviu os eleitores sobre o governo Lula, e 77% o consideram ótimo ou bom e 18% regular. Assim que começar a campanha na televisão e ficar definitivamente claro que Dilma é a candidata de Lula, essa aprovação tende a ser converter em votos para ela, com uma possível vitória no primeiro turno.

 

O Ibope também fez pesquisas em vários estados, mas aos contrário do Datafolha não misturou as sondagens. Para a pesquisa presidencial, foram ouvidas 2.506 pessoas em 174 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Fonte: Tijolaço

publicado por Julio Falcão às 22:42
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Julho 30 2010

Jorge Furtado: as falsas razões contra Dilma

Posted by Leandro Fortes under Preconceito de classe 
 

Esse é só o mais conhecido deles

 

Dez falsos motivos para não votar em Dilma Rousseff

 

Por Jorge Furtado

 

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

 

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

 

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

 

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

 

1. “Alternância no poder é bom”.

 

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

 

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

 

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias.

 

O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

 

3. “Dilma não é simpática”.

 

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

 

4. “Dilma não tem experiência”.

 

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

 

5. “Dilma foi terrorista”.

 

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

 

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

 

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

 

7. “Serra vai moralizar a política”.

 

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

 

8. “O PT apóia as FARC”.

 

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

 

9. “O PT censura a imprensa”.

 

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

 

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

 

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

*****

 

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

 

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

 

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

 

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

 

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

 

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

 

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

 

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

 

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

 

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

 

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

Fonte: Brasília eu vi

publicado por Julio Falcão às 11:21
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Julho 27 2010

Por: Equipe InfoMoney

 

SÃO PAULO - O último relatório Focus, de 29 de março de 2010, traz a seguinte projeção de consenso do mercado: ao final de 2010, a conta corrente do Brasil, que traz a diferença entre as os fluxos de bens e serviços frente ao exterior, deve estar deficitária em US$ 50 bilhões – ou seja, o Brasil possui déficit, neste critério, de US$ 50 bilhões com o “resto do mundo”.

 

Há aproximadamente um ano, no relatório de 27 de março de 2009, o mercado apontava para déficit de US$ 23,60 bilhões na mesma conta em 2010, mostrando que as projeções para o desequlíbrio em conta corrente mais duplicaram no período.

 

Mas, afinal, o que significa esse déficit? Mais do que isso: que consequências ele tem para a economia brasileira?

 

O professor da Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), José Luiz Rossi Júnior, explica que as transações correntes trazem a diferença entre poupança nacional e o quanto o país investe.

 

Assim, um déficit significa que o país investe mais do que poupa.

“Acontece por vários motivos, quando as pessoas estão consumindo mais, ou a poupança do governo está baixa. Isso tudo tem que ser financiado. Neste caso, o mundo está financiado o Brasil, através da entrada de capital”, afirma o professor.

 

Na mesma linha, o analista da Tendências Consultoria, André Sacconato, explica que déficit nada mais é do que importar poupança externa. “Há várias formas de financiar o consumo: empréstimos, títulos de renda fixa, IED (investimento externo direto) e bolsa, sendo que os últimos dois são os principais atualmente”, afirma.

 

O professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Carlos Eduardo Gonçalves, explica que desde 2005 as contas nacionais mostram uma deterioração na conta corrente, causada por uma piora na poupança doméstica. “Quando você poupa menos, para financiar o investimento, precisa vir poupança de fora. Quando vem poupança de fora, ela aprecia a taxa de câmbio, e isso gera um déficit em conta corrente”, explica.

 

Assim, o déficit é como um espelho da maior entrada de capital. “A piora que estamos vendo, e que vamos continuar a ver nos próximos anos, vem de um aumento do investimento, O investimento vai continuar crescendo, e como a poupança pública e privada são baixas, você financia esse investimento com entrada de capitais”.

 

Déficit não preocupa


Tanto os professores da FEA-USP e do Insper como o analista da Tendências consideram que o déficit não é preocupante.

 

“Estamos financiando crescimento econômico, em parte com poupança vinda do exterior”, enfatiza Carlos Eduardo, completando que “isso passa a ser preocupante em emergentes sobretudo quando esse endividamento é muito grande, o que não corresponde ao cenário brasileiro atual”.

 

“Há um certo medo, porque é um aumento do passivo do país com o exterior e maior dependência do capital externo para fechar as suas contas. Além disso, historicamente, momentos de déficit foram seguidos de crise”, lembra o professor do Insper, que entranto acredita que a situação agora é diferente, motivo pelo qual o déficit não o preocupa. “Pela primeira vez vivemos um período de câmbio flexível, que de certa maneira pode atenuar esse déficit”, explica.

 

Na última nota do setor externo divulgada pelo Banco Central, de 22 de março, referente ao mês de fevereiro, as transações correntes mostraram déficit de US$ 3,3 bilhões no mês, acumulando US$ 28,1 bilhões de déficit nos últimos doze meses – o que equivale a 1,66% do PIB (Produto Interno Bruto).

Fonte: InfoMoney

 

Para saber como foi grave o desequilíbrio em transações correntes registrado pela economia brasileira na segunda metade da década de noventa, click Aquí.

publicado por Julio Falcão às 01:35
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Julho 25 2010

Vale a pena rever o que Dilma fez com o senador Agripino Maia.

 

Sensacional!

 

 

 

E Serra quer debater com ela?

 

Debater com Dilma é arriscado para quem não tem o mínimo preparo.

 

Dilma é preparada e competente, Serra não é nada disso. Serra é só "Tró-ló-ló". 

 

Dilma sabe o que faz.

 

Veio prá ganhar, e ganhará!

 

 

publicado por Julio Falcão às 01:01
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Julho 23 2010
publicado por Julio Falcão às 22:48
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Julho 22 2010

Rodrigo Vianna: é um erro menosprezar Serra e a velha mídia

Trata-se de um erro grave menosprezar os adversários. Ainda mais, adversários que não tem alternativa. Serra, derrotado, encerra a carreira. Portanto, para o candidato tucano, trata-se de ganhar ou ganhar. E a mídia anti-Lula não titubeará em exercer seu papel na campanha contra Dilma. Em 2006, foi a campanha mdiática que levou a eleição para segundo turno. 

Por Rodrigo Vianna, em seu blog  Escrevinhador

 

Os políticos tucanos e parte de seu eleitorado – especialmente os leitores mais desavisados de “Veja”, “O Globo” e outros que tais – aparentemente acreditaram em algumas fábulas sobre Dilma, espalhadas por “colunistas” e “analistas” durante a primeira fase de campanha (que se encerrou pouco antes da Copa do Mundo):

– ela não tem brilho próprio;

– ela não saberá se portar durante uma campanha, longe das asas de Lula;

– ela não conseguirá colar no prestígio de Lula e terá enorme dificuldade para passar de 15% nas pesquisas.

Tudo isso se mostrou falso. Os tucanos menosprezaram Dilma. E agora engrossam as o discurso terrorista de campanha, para tentar recuperar o terreno perdido.

Entre os petistas, de outro lado, há quem ameace embarcar na mesma trilha. Espalham-se em alguns setores, digamos, mais “militantes”, fábulas sobre a candidatura Serra e seus aliados:

– Serra é um néscio, que não sabe o que faz;

– a campanha terrorista de Serra e seus aliados midiáticos não terá nenhum efeito;

– a mídia tradicional deixou de ter importância, e não terá força para impedir a vitória inexorável de Dilma.

Trata-se de um erro grave menosprezar os adversários. Ainda mais, adversários que não tem alternativa. Serra, derrotado, encerra a carreira (mesmo que o PSDB ganhe em São Paulo, o serrismo será varrido do mapa num possível governo estadual de Alckmin). Portanto, para o candidato tucano, trata-se de ganhar ou ganhar.

Alguns enxergam na tática serrista do terrorismo (FARC, narcotráfico etc) um puro sinal de desespero. É bem mais do que isso. Nos últimos meses, todos nós fomos bombardeados por emails lembrando o “passado terrorista de Dilma”. Foi algo disseminado de forma profissional, deliberada. Antes disso, a “Folha” já se havia prestado ao serviço de estampar a ficha falsa da candidata, em primeira página. Portanto, a atual fase de campanha (associar PT e Dilma às FARC) é apenas o desdobramento lógico das fases anteriores. Não é algo improvisado…

Isso basta pra ganhar eleição? Não. Ainda mais num cenário em que o PT conta com um presidente aprovado por quase 80% do eleitorado. Mas o terrorismo eleitoral pode ser importante para consolidar o voto anti-petista. Com isso, Serra pode garantir de 25% a 30% do eleitorado. O risco é que esses ataques façam aumentar a rejeição a Serra. Boa parte do eleitorado brasileiro não gosta disso.

No horário gratuito na TV, provavelmente, Serra vai evitar a tática de partir pra cima de Dilma com essa ferocidade. A experiência recente mostra que ataques diretos a um adversário acabam gerando rejeição – ainda mais na TV. Mas há o rádio, a internet e a imprensa amiga pra seguir fazendo serviço…

Serra precisa manter-se competitivo, com alguma chance, até a reta final da eleição. E aí chego ao terceiro dos três pontos que ressaltei acima: engana-se quem acha que a mídia anti-Lula não terá papel a exercer na campanha contra Dilma. A mídia perdeu, sim, parte de sua força. Mas não toda a força. Em 2006, foi a campanha mdiática que levou a eleição para segundo turno – Marcos Coimbra, do Vox Populi, já mostrou isso de forma límpida.

Nessa eleição, a mídia impressa seguirá o roteiro de ataques implacáveis contra Dilma. Assim como Serra, essa gente não tem escolha: enveredou por um caminho sem volta.

Essa mídia, talvez, não consiga garantir a vitória de Serra. Ainda mais porque a TV Globo (ao contrário do jornal, que é explícito) tende a manter-se na moita. A Globo não pode se dar ao luxo de voltar a ser carimbada como “anti-povo”, “golpista”… Seria um risco enorme jogar a imagem da Globo numa campanha anti-lulista. Mas, se na reta final, a Globo sentir que há espaço para empurrar Serra ao segundo turno, não tenham dúvidas: vão repetir 2006! O método Ratzinger vai se revelar de novo implacável.

Por isso, os lulistas devem evitar o erro de menosprezar adversários que lutam pela sobrevivência – política, ou econômica – e que vão usar todas as armas numa guerra suja.

Essa não será uma eleição para quem tem estômago frágil.

Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 00:07
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Julho 19 2010
publicado por Julio Falcão às 10:06
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Julho 10 2010

Rabelo: volta dos tucanos levaria a grande tensionamento social

Com o início oficial do período eleitoral, aumenta a atenção de partidos e militantes para o embate de outubro. Na avaliação do presidente do PCdoB, Renato Rabelo, os comunistas – além de se voltarem para o projeto eleitoral do partido – devem se empenhar em “desmascarar” a candidatura de José Serra (PSDB). “Ele sabe que o governo Lula deu certo; então tenta aparecer como um candidato que continuará esse processo. Isso é uma empulhação, uma farsa”, argumenta.
Maurício Moraes
Renato Rabelo

"Ficou flagrante que nem programa a oposição tem", diz Rabelo

 

O dirigente avalia ainda que um retorno dos tucanos ao poder central resultaria em “tensionamento social” e “retrocesso” porque seguiria no sentido oposto ao das políticas aplicadas hoje, que têm como foco o desenvolvimento com distribuição de renda, a busca por maior justiça social, a inserção soberana do Brasil no cenário internacional e seu esforço em integrar os países latino-americanos.

“Nosso papel daqui para frente”, disse Rabelo, “é demonstrar quais são os reais interesses dele (Serra), e quais são os nossos” e mostrar que “Dilma não é a melhor candidata apenas por ter sido indicada pelo presidente, mas por ter sido figura central no próprio êxito do governo. É assim que o povo vai compreender quem é quem”.

Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista que Renato Rabelo concedeu ao Vermelho, em que o dirigente também fala sobre pesquisas eleitorais, projeto eleitoral do PCdoB e sobre a candidatura de Flávio Dino no Maranhão.  


Ampla adesão a Dilma

“Finalizadas as convenções, o campo de Dilma, que é o campo de Lula, consegue pela primeira vez um número grande de adesões. Em 2006, quando houve a exigência da verticalização, praticamente só três partidos oficializaram o apoio à candidatura Lula, além dos que apoiaram de maneira não oficial. Dessa vez, a regra não é aplicada e são muitos os partidos que a apoiam. Além disso, a aliança conta – pela primeira vez já no primeiro turno – com o PMDB, maior partido do país, e com toda a esquerda junta. Por se tratar de um apoio amplo, tem repercussão nos estados porque cada um tem uma situação diferenciada, o que dificulta a manutenção de uma aliança igual em todos os lugares. Surge então, também de maneira inédita, o fenômeno dos dois palanques. Isso ocorreu em 2006, mas hoje acontece em vários estados, o que demonstra a amplitude do apoio a Dilma”.

Apoio minguado a Serra
“No caso de José Serra, é um apoio político mais restrito, basicamente o DEM e o PPS, que são partidos que já vêm fazendo oposição ao governo Lula. Conseguiu também puxar o PTB, mas mesmo este partido está dividido, pois uma parte vai apoiar Dilma nos estados. O tucano, portanto, não conseguiu ter um apoio político amplo, o que demonstra ser uma candidatura que enfrenta muitas dificuldades na unificação de sua própria base. A escolha do candidato a vice-presidente demonstra isso. Caminharam para uma situação de impasse, não conseguindo harmonizar a aliança e para solucionar esse impasse, entraram por uma vertente inesperada: indicar um vice (Índio da Costa) sem expressão nacional, alguém que não é uma liderança de proa dessa frente. Claro que muitas vezes não se dá destaque a isso porque a mídia brasileira é muito favorável a eles. Agora, se isso tivesse ocorrido no nosso campo, imagina o barulho que iam fazer”.

Candidatura programática
“O mais importante a se considerar nestas eleições, no entanto, é aquilo que a gente já vem falando há algum tempo: o campo de Dilma Rousseff tem um programa que já vem sendo aplicado. Não é algo hipotético, calcado em especulações ou teses. É um programa que já vem sendo aplicado – sobretudo se considerarmos o segundo governo Lula – e ao qual se quer dar continuidade e desenvolvimento. O programa apresentado é ainda aquele elaborado pelo PT e que vai servir de base para discussão entre os partidos da base. O Serra, nem programa apresentou. A exigência do Tribunal Superior Eleitoral é muito significativa: os partidos devem apresentar seus programas quando registram seus candidatos, isso é um compromisso político explícito que Serra subestimou. Ficou flagrante que nem programa a oposição tem, tanto que utilizou improvisadamente alguns discursos do seu candidato para não dizer que ficou de fora. Isso mostra também que eles não têm alternativa melhor ao programa de desenvolvimento com distribuição de renda, democracia e soberania nacional que vem sendo aplicado ao país”.

Tensionamento social
“A volta dos tucanos ao poder central levaria a um grande tensionamento social no país e no plano continental, já que significaria um retorno à inserção internacional subordinada do Brasil e à paralisia do processo de desenvolvimento com distribuição de renda e democracia. No fundo, Serra sabe que o governo Lula deu certo; então ele tenta aparecer como um candidato que continuará esse processo e que inclusive teria melhores condições de lhe dar continuidade. Isso é uma empulhação, uma farsa. Nosso papel daqui para frente é demonstrar quais são os reais interesses dele, suas verdadeiras intenções e quais são os nossos. É assim que o povo vai compreender quem é quem. Em resumo, é preciso mostrar ao povo que Dilma Rousseff representa essa continuidade e que ela inclusive foi uma figura chave no governo, na realização do programa aplicado por Lula. Ou seja, ela não é a melhor candidata apenas por ter sido indicada pelo presidente, mas por ter sido figura central no próprio êxito do governo. Não é uma pessoa qualquer”.

Especulação nas pesquisas
“Sempre há volatilidade de opiniões em período eleitoral. Quando Dilma cresce nas pesquisas – ou, como mais recentemente, ultrapassa Serra – há sempre opiniões apressadas de que poderia vencer já no primeiro turno. Já em momentos que não há crescimento em sua candidatura, avaliam que vai para o segundo turno. Neste momento, tudo isso é pura especulação. Não temos base nenhuma para dizer se o pleito vai ser decidido no primeiro ou no segundo turno. O mais importante é não nos perdermos nisso e analisarmos as tendências. É preciso avaliar qual a tendência demonstrada numa série de pesquisas porque isoladamente, uma pesquisa reflete apenas um determinado momento e varia conforme o instituto porque os métodos não são sempre os mesmos. E em todas as pesquisas, a tendência é de crescimento da Dilma. No caso de Serra, o que se vê é a manutenção do seu patamar. Ele varia pouco, 5% a mais, 5% a menos dentre de seu patamar. Há pouco tempo alardearam: “empate!”. Mas no começo da série, Dilma estava atrás e empatou porque ela cresceu.
Mais recentemente disseram: “empatou novamente”. Não. Foram métodos diferentes porque praticamente no mesmo momento duas pesquisas demonstraram que Dilma ultrapassou Serra e duas disseram estarem empatados. Em resumo, o que interessa é que a tendência de Dilma é de ascensão, enquanto Serra parece ter atingido seu teto. E mais: Dilma pode crescer muito porque ainda não é tão conhecida como Serra e tem muita gente que não sabe que ela é a candidata de Lula. Veja que 65% daqueles que dizem votar no Serra avaliam o governo Lula como ótimo e bom. Então, o crescimento de Dilma é uma questão de tempo”.

Projeto proporcional comunista
“O PCdoB tem sempre lutado para que as alianças de apoio a Dilma consigam assegurar a continuidade do ciclo aberto por Lula. Dessa maneira, o partido não se perde, mantendo sua coerência em âmbito nacional. Dentro dessas alianças, procuramos ver como o partido apresenta suas lideranças e a possibilidade de êxito dessas candidaturas para que o partido também cresça. Definimos que era necessário o PCdoB ter uma bancada maior de deputados federais, chegando à casa das duas dezenas, o que seria um passo importante, já que elegemos 13. Não é uma tarefa simples, mas reunimos condições para isso. No Senado, o objetivo é conquistar uma bancada, o que o partido nunca teve; pretendemos eleger pelo menos mais dois ou três senadores, além do que já temos (Inácio Arruda, do Ceará)”.

Reafirmação de Flávio Dino
“O PCdoB vem acumulando força eleitoral, sobretudo nas eleições municipais, que são mais de base, o que nos permite ter candidaturas ao governo. Por esse motivo, apresentamos Flávio Dino no Maranhão. O partido acredita que é preciso sempre fazer um esforço de sustentar a candidatura majoritária com uma frente política de certa amplitude porque sem isso há pouca possibilidade de êxito. No Maranhão, conseguimos o apoio do PT local, do PSB e do PPS. Evidentemente o PT, em função de compromissos assumidos na aliança nacional, sobretudo com o PMDB, revogou decisão tomada no âmbito local. De uma forma ou de outra a gente compreende isso, mas é um compromisso que se choca com os interesses do PCdoB que é seu aliado também. E isso acabou criando uma tensão, um relacionamento difícil entre o PT e o PCdoB, mesmo levando em conta que não temos nenhuma ilusão; na relação política o que vale são os interesses e os compromissos políticos assumidos. De maneira que ninguém está pedindo generosidade, mas o PCdoB procurou manter sua posição e buscou apoios para que tivesse um mínimo de sustentação política à sua candidatura. Na prática, talvez uma parte maior do PT vá fazer campanha também para o Flávio Dino.

Mantivemos sua candidatura também porque chegamos a uma situação de compromisso com os aliados, as forças políticas e sociais do estado em que não poderíamos mais recuar. É uma experiência nova, importante porque o PCdoB nunca teve uma candidatura de expressão ao governo. O Flávio Dino é uma liderança em ascensão no Maranhão – o que pôde ser constatado quando concorreu à prefeitura de São Luís em 2008 –, é respeitado e tem um papel importante no Congresso Nacional. O próprio presidente Lula disse, em nosso ato de apoio a Dilma, que todos os partidos precisam ter candidaturas majoritárias, se não o povo nem sabe o que esse partido pretende porque nas candidaturas ao parlamento são “parciais” ao se dirigem a uma parcela da população. Já as majoritárias se dirigem a todo o povo”.

Atenção dos comunistas
“Nesta fase, os comunistas devem atentar primeiramente para a necessidade de fazermos uma campanha que mobilize amplamente a população para que a gente consiga ter êxito na candidatura à presidência da República porque este é projeto maior; se a gente perde aí, a gente perde o projeto em curso. O segundo ponto é fazer um grande esforço para elegermos os candidatos do partido levando em conta as alianças. Temos de fazer um grande esforço para que os partidos de esquerda cresçam no país, de maneira que o PCdoB também cresça elegendo seus candidatos. O objetivo é que a esquerda possa fazer mais de 200 deputados e mais do que dobrar a bancada de senadores. A terceira questão é explicitar ao povo a diferença entre o nosso projeto e o de Serra; o que significa a nossa vitória e o que significaria a vitória dele. E explicitar que quem tem melhores condições e legitimidade para levar adiante o projeto de continuidade e de avanço é Dilma Rousseff. No fundo, Serra e sua turma querem mudar sim o que vem sendo aplicado, mas querem aparecer como continuadores. Isso é que temos que desmascarar”.
Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 10:53
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Julho 09 2010
 
 
publicado por Julio Falcão às 00:09
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Julho 07 2010
publicado por Julio Falcão às 18:13
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