Blog do Julio Falcão

Maio 10 2009
"Um quarteirão inteiro está ameaçado de desabar no bairro de Paripe, no Subúrbio de Salvador. Cem casas foram condenadas pela Defesa Civil (Codesal), sendo que entre 40 e 50 delas já desmoronaram num período de 24 horas – entre o meio-dia de sexta-feira e a tarde deste sábado, 9. Não houve mortos e uma mulher se feriu sem gravidade. Segundo técnicos da Codesal que avaliaram o local pode chegar a 200 o número de casas condenadas caso as chuvas prossigam.


A explicação está no próprio solo, de massapê, que se expande com a absorção da água. Uma faixa de terra de 500 metros de extensão por 1.200 de largura deslizou, destruindo todo o sistema de esgotamento sanitário e comprometendo o abastecimento de água e de energia elétrica. “Esse tipo de terreno se expande com a água como se fosse um terremoto. É uma espécie de efeito sonrisal. A área afetada é 360 metros por 240 metros”, explicou o engenheiro da Codesal Antônio Carlos Castro, responsável pela vistoria. ”Se a chuva continuar, a situação pode se agravar”, alerta.


A Rua de Deus foi a mais atingida e colocou em risco a vizinha Rua da Bélgica, que fica abaixo. Os primeiros sinais de que algo estava errado começaram a aparecer por volta do meio-dia de sexta-feira, quando o terreno começou a se deslocar e as primeiras rachaduras apareceram nas paredes das residências.


Em pouco tempo as primeiras casas ruíram. Desesperados, os moradores deixaram suas casas levando o que podiam. Em meio à tragédia que se anunciava, uma rede de solidariedade se formou. Mesmo sob o risco iminente de desabamento, os vizinhos ajudaram uns aos outros a carregar televisões, fogões, geladeiras, móveis e objetos pessoais.


Tudo era levado para a associação de moradores. A mobilização entrou pela noite. “Sentíamos o chão mexendo sob nossos pés. Mas todos ajudaram e não deixamos que ninguém permanecesse nas casas”, relata o presidente da Associação Recreativa Beneficente Unidos da Torre. Segundo ele, apenas uma moradora teve alguns arranhões na manhã de ontem. Ela havia deixado sua casa no dia anterior e voltou para ver se conseguir recuperar mais alguma coisa quando foi surpreendida pelo desmoronamento. Ela foi levada para o Hospital João Batista Caribé.


DESABRIGADOS – Em apenas uma semana saltou de 170 para 428 o número de famílias desabrigadas em Salvador, cadastradas junto à Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad). O auxílio-moradia, que era de R$ 100, passa a R$ 150 a partir de amanhã. Para acolher de forma emergencial os desabrigados, a Setad preparou o abrigo da Baixa dos Sapateiros, que tem capacidade para 120 pessoas. Ontem tinham 56 moradores de rua e três famílias de desabrigados. Há ainda nove hotéis cadastrados.


Segundo o secretário da Setad, Antônio Brito, a maior parte das pessoas que perderam suas casas em Paripe optaram por ir para a casa de parentes e vizinhos. Apenas 14 pessoas contaram com o suporte da prefeitura. Uma mãe com duas crianças foram para o abrigo da Baixa dos Sapateiros e uma outra família e um rapaz solteiro ficaram na Casa do Trabalhador, em Periperi.


“Nossa preocupação é com aquelas que insistem em ficar no local”, diz o secretário. Assistentes sociais tentarão hoje convencê-los a ir para a Escola Municipal Ítalo Gaudenzi, em Fazenda Coutos, que está sendo preparada para receber desabrigados."

Amélia Vieira , do A TARDE
publicado por Julio Falcão às 03:04
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