Blog do Julio Falcão

Setembro 06 2009
Cacos que a imprensa não junta

Por Luciano Martins Costa em 4/9/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 4/9/2009

A edição de sexta-feira (4/9) da Folha de S.Paulo informa com exclusividade que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos descobriu movimentações financeiras suspeitas do banqueiro brasileiro Daniel Dantas entre as Ilhas Cayman e o Citibank de Nova York. A reportagem é parte das notícias que pingam eventualmente, quase sempre por intermédio da Folha, sobre as atividades do controlador do Banco Opportunity.

Tratado assim, como um mosaico de pedras soltas, fica difícil ao leitor entender do que se trata. Mas para o observador que coleciona recortes, começam a fazer sentido as preocupações que atacam certas figuras importantes da política e dos negócios nacionais cada vez que a imprensa cita o nome de Dantas.

A operação noticiada pela Folha desta vez dá conta de que o controverso empresário e sua irmã, Verônica Dantas, criaram um truste naquele paraíso fiscal, com três empresas em seus nomes, transferiram US$ 242 milhões do Fundo Opportunity para duas dessas empresas e depois enviaram o dinheiro a uma conta em Nova York.

A legislação proíbe a brasileiros residentes no Brasil participar de fundos dessa natureza, que são isentos de imposto de renda sobre ganhos de capital. Por outro lado, o valor transacionado é superior a todo o patrimônio declarado por Daniel Dantas à Receita Federal no período.

Um alento

A operação de transferência descoberta pelas autoridades americanas ocorreu em 2002. Quatro anos antes, o Opportunity Fund havia participado do processo de privatização das estatais de telefonia, gerando muitas suspeitas sobre a origem e os verdadeiros donos do dinheiro.

Até agora a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, que fiscaliza o mercado de capitais, não descobriu quem são os cotistas do fundo administrado pelos irmãos Dantas. Esse, segundo a Folha de S.Paulo, é também um dos maiores segredos do processo de privatizações realizado em 1998, que nem as investigações da Operação Satiagraha conseguiram desvendar.

A operação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos deve dar um alento ao processo, que por aqui andou esfriando depois que boa parte da imprensa resolveu que era mais interessante discutir os métodos do delegado Protógenes Queiroz do que os negócios suspeitos de Dantas e seus associados misteriosos.
Fonte: Observatório da Imprensa

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publicado por Julio Falcão às 23:17

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