Blog do Julio Falcão

Julho 31 2010
publicado por Julio Falcão às 20:14

Julho 31 2010

Carta Capital n˚ 607

 

Ignorar a história, uma saída rasteira – por Wálter Fanganiello Maierovitch

 

Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo

 

Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.

 

O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.

 

A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.

 

Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.

 

Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), "taxa"de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de "imposto de circulação" gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.

 

Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: "A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios".

 

Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de "Paz, Justiça e Liberdade" e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.

 

Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.

 

Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, "este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política".

 

A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.

 

À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.

 

Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.

 

Os conservadores tinham por lema "Deus, pátria e família". Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado "gaitanismo"lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.

 

Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.

Fonte: Nassif

publicado por Julio Falcão às 14:39

Julho 31 2010
publicado por Julio Falcão às 00:07
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Julho 30 2010

Serra também não tem diploma

Por Sebastião Nery - Tribuna da Imprensa

 

Um amigo, também amigo de Serra, seu companheiro de exílio no Chile e hoje brilhante professor universitário no Brasil, me diz, rindo, sobre essa coisa idiota de ter ou não ter diploma para ser presidente da República:

 

- O Serra não está dizendo que Lula não tem diploma universitário? Pede a ele para mostrar o dele. Desde nossos tempos de Santiago, lá no Chile, e também depois que ele foi para os Estados Unidos, e mesmo quando voltou para o Brasil, em 79, com a anistia, há um mistério sobre sua formação universitária. Ele diz que é economista. No Brasil, em 64, estudava engenharia. Fez brilhante mestrado em economia no Chile e doutorado nos Estados Unidos. Cada país tem uma legislação de ensino diferente. No Brasil, só pode fazer mestrado e doutorado depois de ter o diploma de graduação. Mas ninguém nunca viu o diploma de economista dele. Já que agora ele tem televisão à vontade, era uma boa oportunidade de mostrar.

 

Não vai mostrar nunca, porque, como diz de Lula, também ele não tem diploma. Na biografia autorizada que fez de Serra, o jornalista Teodomiro Braga conta porque Serra não tem diploma universitário. Estudava engenharia em São Paulo. Com o golpe de 64, foi exilado para o Chile e, para fazer mestrado de economia lá, fez uma prova que substituiu a exigência do diploma do curso de graduação. Depois, fez doutorado nos Estados Unidos.

 

Pela legislação brasileira, se você faz universidade lá fora, para dizer que é e ser profissional aqui, o Ministério da Educação tem que validar o curso de lá. Se não não pode pertencer à categoria. O de Serra foi validado?

 

O mistério mora aí. Onde, quando e sobretudo como Serra fez a tal prova, para dispensar o curso da Universidade e fazer logo o mestrado? Em um Detran educacional qualquer, como se fosse uma carteira de motorista? Esta é uma boa pergunta: quem foi o despachante de Serra no Chile?

Fonte: Correio do Brasil

publicado por Julio Falcão às 23:27
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Julho 30 2010

Ibope-TV Globo: Dilma 39% x Serra 34%

                                                   

 

Confirmado: Dilma Rousseff abriu cinco pontos de vantagem sobre José Serra na disputa pela Presidência, segundo pesquisa Ibope TV Globo. Dilma subiu três pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, feita em junho, e Serra caiu dois, confirmando a mesma tendência revelada pelo Vox Populi, que apontou oito pontos de vantagem para Dilma. Só o Datafolha insiste num empate técnico que já deixou de existir há muito tempo.

 

Segundo o Ibope, Dilma tem 39% das intenções de voto, contra 34% de Serra. Na simulação de segundo turno, Dilma tem 46% e Serra 40%. A pesquisa Ibope também ouviu os eleitores sobre o governo Lula, e 77% o consideram ótimo ou bom e 18% regular. Assim que começar a campanha na televisão e ficar definitivamente claro que Dilma é a candidata de Lula, essa aprovação tende a ser converter em votos para ela, com uma possível vitória no primeiro turno.

 

O Ibope também fez pesquisas em vários estados, mas aos contrário do Datafolha não misturou as sondagens. Para a pesquisa presidencial, foram ouvidas 2.506 pessoas em 174 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Fonte: Tijolaço

publicado por Julio Falcão às 22:42
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Julho 30 2010

Jorge Furtado: as falsas razões contra Dilma

Posted by Leandro Fortes under Preconceito de classe 
 

Esse é só o mais conhecido deles

 

Dez falsos motivos para não votar em Dilma Rousseff

 

Por Jorge Furtado

 

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

 

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

 

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

 

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

 

1. “Alternância no poder é bom”.

 

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

 

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

 

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias.

 

O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

 

3. “Dilma não é simpática”.

 

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

 

4. “Dilma não tem experiência”.

 

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

 

5. “Dilma foi terrorista”.

 

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

 

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

 

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

 

7. “Serra vai moralizar a política”.

 

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

 

8. “O PT apóia as FARC”.

 

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

 

9. “O PT censura a imprensa”.

 

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

 

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

 

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

*****

 

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

 

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

 

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

 

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

 

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

 

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

 

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

 

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

 

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

 

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

 

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

Fonte: Brasília eu vi

publicado por Julio Falcão às 11:21
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Julho 28 2010
publicado por Julio Falcão às 23:49
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Julho 28 2010

No microblog twitter, o candidato da oposição à presidência da República José Serra (PSDB) reafirmou, na madrugada desta quarta-feira (28) que não é verdade que irá “privatizar o Banco do Brasil”. Este tema tem sido tratado pelos tucanos como um calcanhar de Aquiles para a candidatura oposicionista. O PSDB chegou a elaborar uma cartilha para municiar sua militância de argumentos na defesa das privatizações realizadas nos dois governos FHC.

 

Por Gustavo Alves

 

A cautela se justifica pelo papel que Serra desempenhou no processo de venda das estatais. O tucano, que foi ministro do Planejamento durante o primeiro mandato do governo Fernando Henrique, teve papel central na definição do modelo a ser utilizado na época.

Mesmo durante a atual disputa, Serra já se manifestou favorável à privatização de novas áreas, como os aeroportos e estradas.

A privatização dos aeroportos foi defendida por Serra em entrevista à Rádio Tupi do Rio de Janeiro no dia 15 de julho. Na entrevista, o tucano destacou que "tem que fazer, sim, concessões das obras em vários aeroportos para fazer terminais, para fazer novas pistas. Aí, sim, a iniciativa privada pode entrar e fazer as coisas andarem mais rapidamente. Fazer um terminal é uma coisa que a iniciativa privada faz bem e ainda paga o governo por isso". Durante o programa Roda Viva da TV Cultura, Serra declarou sobre o programa de privatização de estradas “mas uma coisa eu garanto: se for feito, vai ser bem feito”, disse na ocasião.

Durante palestra promovida pelo jornal cearense O Povo, no dia 17 de maio, Serra reafirmou que "fui co-responsável pelo programa de privatização para repassar para a área privada atividades típicas da área privada. Nunca condenei o passado".

Durante a primeira parte do governo FHC, em que Serra esteve à Frente do Ministério do Planejamento, foram privatizadas a Companhia Vale do Rio Doce e o Sistema Telebrás.

Nos recortes abaixo, a revista Veja registra aspectos da participação de Serra no processo de privatizações.

 

  

   

 

 Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 23:34
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Julho 28 2010
Se isso que José Serra faz é tática para ganhar a eleição, por favor, coloquem uma camisa de força nele. É tudo muito primário.
A cada semana ele é descoberto e perde mais uma paternidade.
O mentiroso perigoso é aquele que acredita nas mentiras que conta.

 

publicado por Julio Falcão às 00:21
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Julho 27 2010

Serra faz campanha com “figurino de direita” e discurso do medo

“O comando da campanha de José Serra (PSDB) colocou o medo no centro da disputa presidencial”, com o intuito de “criar fantasmas na cabeça do eleitor para tirar votos da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff”. Assim começa a matéria de capa da revista IstoÉ desta semana, em denúncia sobre os “velhos fantasmas” a que a campanha tucana recorre para ganhar a eleição.

Por André Cintra

 

O texto, assinado por Alan Rodrigues e Sérgio Pardellas, dá dicas preciosas de como o PSDB quer vencer a eleição na baixaria. Consciente de que não é mais o candidato favorito à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra subverteu sua campanha com uma guinada à direita. A fase “Serrinha paz e amor” — que incluía até elogios descaradamente oportunistas ao “presidente que está acima do bem e do mal” — ficou para trás.

A escalada reacionária da campanha da oposição vai se consolidando, dia após dia, nas ações e nos discursos do próprio presidenciável tucano. Na verdade, “a tentativa do PSDB de criar uma atmosfera de satanização do PT e de sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, é inteiramente planejada, ao contrário do que poderia parecer”, afirma a IstoÉ.

Agressão e calúnia

Os disparates contra a candidata Dilma Rousseff, o PT e o governo Lula já existiam desde a pré-campanha, bem como a hostilidade ao Mercosul, o repúdio à entrada na Venezuela no bloco, críticas gerais a Cuba e a acusação leviana de que o presidente boliviano, Evo Morales, é cúmplice do narcotráfico. Agora, no entanto, Serra deu vazão a uma postura ainda mais agressiva e, por vezes, caluniosa. Os alvos: os movimentos sociais — sobretudo o MST — e os governos progressistas da América Latina.

“Tudo começou com a surpreendente entrevista do vice de Serra, Indio da Costa (DEM), dizendo a um site do partido que o PT é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico”, lembra IstoÉ. “Num primeiro momento, lideranças partidárias passaram a ideia de que Indio era apenas uma voz isolada – além de descontrolada e inconsequente. Aos poucos, porém, foi ficando claro que ele cumpria um script previamente combinado. Muito bem orientado pelos caciques do PSDB e DEM, o vice de Serra servia de ponta de lança para uma estratégia de campanha: o uso da velha e surrada tática do medo.”

Indio da Costa, dias depois, associou o PT ao Comando Vermelho. Serra, ele próprio, entrou na parada e retomou o suposto elo PT-Farc. “Há evidências mais do que suficientes do que são as Farc. São sequestradores, cortam as cabeças de gente, são terroristas. E foram abrigados aqui no Brasil. A Dilma até nomeou a mulher de um deles”, disse o inconsequente candidato à Presidência.

Preconceito com a América Latina

A revista ainda previu que o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, seria o próximo alvo da artilharia serrista. Não deu outra. Nesta segunda-feira (26), num almoço em São Paulo com empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), Serra deixou claro que, num eventual governo seu, o Itamaraty vai atropelar os vizinhos sul-americanos e inviabilizar a integração da América Latina. Será uma inflexão nos esforços brasileiros para fortalecer a ascensão de governos progressistas e soberanos na região.

Chamando Chávez de “partidário do espetáculo”, Serra recorreu à grosseria para dizer que o líder da Revolução Bolivariana “vai criando fatos que ameaçam a estabilidade da América do Sul, da Latina e do Brasil”. Era uma referência ao conflito Colômbia-Venezuela, desencadeado, na realidade, por uma declaração arrogante do presidente colombiano em fim de mandato, o ultradireitista Álvaro Uribe.

Numa demarcação ideológica cínica e inconfundível, Serra responsabiliza apenas Chávez pelo impasse, mas não dá uma única palavra sobre a figura desestabilizadora que é Uribe — o chefe de Estado sul-americano que mais se aliou aos Estados Unidos nesta década. O tucano demonstra que nada teria a se opor à submissão de um país como a Colômbia (e talvez o próprio Brasil) à Casa Branca, ao controle norte-americano sobre bases militares instaladas no continente e à reativação da 4ª Frota.

A histórica atuação da política externa do Brasil na questão nuclear iraniana também é relativizada por Serra — que prefere pensar unilateralmente em como esvaziar a liderança de Chávez. “É inegável que, se (o governo Lula) tivesse gasto o tempo que gastou no Oriente Médio na América do Sul, poderia ter evitado situações como essas (o conflito Colômbia-Venezuela).”

A resposta a tamanho despautério foi dada pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, ao jornal O Estado de S.Paulo. Segundo o petista, “Serra está caindo no ridículo. Esse figurino de direita troglodita não assenta bem nele”. Para Dutra, o tucano ficou refém dos “falcões do DEM”. De candidato DA direita, José Serra passou a se assumir também um candidato DE direita.

MST

Já ao discorrer sobre os movimentos sociais, Serra revela que não terá pudor em criminalizar e perseguir as entidades. Diálogo com lideranças sociais? Em hipótese alguma! Aos empresários do Lide, Serra reafirmou sua tese conspiratória segundo a qual o Brasil está “numa era de exacerbação de um patrimonialismo sindicalista” — seja lá o que isso queira dizer na prática. Respeito ao sindicalismo certamente não é.

O preconceito se eleva contra o MST. Serra declara que, com Dilma na Presidência, os sem-terra “vão poder fazer mais invasões, mais agitação. É isso. Postura de governo em relação ao MST é que se trata de um movimento político e tem de viver pelas próprias pernas e não pode subverter a ordem democrática”. É a versão moderna de um dos lemas mais conhecidos da República Velha — “a questão social é caso de polícia”.

Jaime Amorim, coordenador regional do MST, resumiu bem o rumo que Serra tomou em sua campanha: “Ele tem postura conservadora, de extrema direita”. Já o MST, em nota emitida ainda na segunda-feira, disparou que a coalizão pró-Serra “pretende implantar em nível nacional suas políticas repressoras, tal como fez no estado de São Paulo em relação aos professores, sem-teto, sem-terra”.

A candidatura demo-tucana simboliza “retrocessos sociais”, agrega o movimento. “José Serra tenta criar um clima de terrorismo eleitoral, se vale de ameças e tenta criar um clima de raiva contra o MST porque não possui um projeto que de fato possa garantir a vida digna dos trabalhadores rurais e urbanos.”

Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 23:16
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