Blog do Julio Falcão

Dezembro 06 2009
Para mídia paulista, aumento de 45% no IPTU é "recuo"

Kassab conta com a cumplicidade dos jornais para abrandar elevação arbitrária de imposto

Por Paulo Salvador

Manchete do jornal Diário de São Paulo desta quarta (2): "IPTU terá reajuste máximo de 30%"; subtítulo: "Após crítica, prefeito muda projeto e reduz teto do aumento". A Folha de S.Paulo vai no mesmo caminho: "Kassab recua e reduz reajuste do IPTU". O Estadão idem: "Para assegurar IPTU, Kassab recua da alta de até 60%".

No jornal Gente, da rádio Bandeirantes, ancorado por José Paulo de Andrade, o tom foi o mesmo: "Havia gordura demais e Kassab recua". E a CBN, de Heródoto Barbeiro, acompanhou: "Prefeito recua e reajuste será menor". Assim, todos os textos passaram a trabalhar com os verbos recuar, reduzir, baixar, ficou menor.

O fato, porém, foi que a maioria dos vereadores de São Paulo que apoia a gestão DEM/PSDB aprovou um reajuste draconiano no imposto, de no mínimo 30% para os imóveis residenciais a 45% para os comerciais, o que provocou protestos de entidades comerciais e de populares na sessão. Dependendo da região, o aumento poderá ser muito maior.

A forma como DEM e PSDB conduziram a negociação foi armada para que o noticiário, cúmplice, invertesse a lógica dos fatos, convencendo os leitores de manchete de que "o pior" foi transformado em "menos mau".

Isso está explícito na manchete interna do Estadão: "Kassab recua em teto de 2010 e Câmara aprova IPTU até 45% maior" seguida do complemento: "Reajuste máximo para imóveis residenciais será de 30%; previsão de arrecadação diminui R$ 100 milhões". Um pouco mais e o leitor ficaria penalizado com a decisão, pois, segundo o Estado, até a previsão de arrecação vai diminuir!

O vereador Antonio Donato lembra que o reajuste atual, que vai levar a uma arrecadação de R$ 650 milhões, não se compara com o da gestão Marta Suplicy, que arrecadou cerca de R$ 250 milhões só no IPTU, excluindo-se a taxa do lixo. "A classe média vai sentir o baque quando o carnê chegar, em janeiro", acredita.

Em artigo publicado no Estado de S. Paulo desta quarta (2), o empresário Oded Grajew, um dos idealizadores do Movimento Nossa São Paulo, destaca que o projeto do novo IPTU não foi apresentado na discussão do Orçamento 2010 e nem do Plano Plurianual 2010-2013 (que estabelece diretrizes e metas do executivo por um período de quatro anos) e ainda não deixa claro em que secretarias, programas e projetos o dinheiro extra será gasto. "Uma proposta com esse impacto na vida da população mereceria um debate mais aprofundado com a sociedade, no âmbito da democracia participativa", critica.
Fonte: Rede Brasil Atual

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publicado por Julio Falcão às 21:49

Dezembro 06 2009

As duas caras da Veja sobre o 'austero' Arruda

A revista Veja chega às bancas neste sábado (5) com um exemplo talvez imbatível de confiança na falta de miolos e memória de seus leitores. Crucifica como "estrela" de "um dos mais repugnantes espetáculos de corrupção já vistos na história" o mesmo governador de Brasília que, na edição de 15 e julho último, era apresentado como modelo "de austeridade" e de que "é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo".


A edição de julho, trazendo nas Páginas Amarelas a entrevista laudatória com o governador José Roberto Arruda, do DEM, saiu "no mesmo dia em que o GDF [Governo do Distrito federal] fechava R$ 450 mil em compra de assinatura da revista Veja para a rede escolar", conforme recordou o jornalista Luis Nassif, em seu portal.


Naquela edição, o bandido corrupto de turno era o senador José Sarney (PMDB-AP). Ele aparecia na capa em uma foto com com os olhos vítreos; ao lado, a afirmação de que tinha "muito a explicar", pois documentos descobertos no Banco Santos "mostram uma conta secreta de US$ 870 mil movimentada em favor de José Sarney".


Afora a informação relevante, agregada por Nassif logo que estourou o escândalo brasiliense, tudo mais está na própria Veja. Em tempos de revolução informacional, o internauta não precisará nem vasculhar algum arquivo empoeirado para atestar a desfaçatez – que nem sequer vem acompanhada de uma tentativa de explicação como as colocadas na moda pela Folha de S.Paulo.


Recupere aqui a entrevista de julho, onde o jornalista Otávio Cabral levanta a bola para Arruda dizer que seu limite "é o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição.


E compare agora com a revista deste fim de semana, onde Veja descreve "os quadrilheiros" da "turma do panetone" e "as cenas chocantes" e "acachapantes"do "esquema de corrupção montado no governo do DF".
Fonte: Vermelho
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publicado por Julio Falcão às 21:10
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Dezembro 06 2009

O Kassab também atirou no dramaturgo


Para quem não sabe, há um projeto de revitalização da Praça Roosevelt que está parado há 3 anos na mesa do prefeito Kassab. Foi desenvolvido pela Emurb, empresa municipal de urbanização. Já houve empenho de verbas. Mas várias vezes o processo de licitação das obras foi interrompido, por absoluta incompetência do afilhado do Serra.


Se tudo tivesse corrido nos conformes e desde o início o prefeito fizesse sua parte e cuidasse da cidade, provavelmente o dramaturgo Mario Bortolotto não estaria na UTI da Santa Casa de Misericórdia. Ele e um colega de teatro foram baleados durante um assalto no Espaço dos Parlapatões.


O projeto é uma beleza. Faz com que aquela aberração de cimento seja colocada abaixo e no lugar surja algo minimamente parecido com uma praça de verdade, habitável. Essa obra tem um custo baixo, R$ 40 milhões. E 85% serão financiados pelo BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a juros subsidiados e longuíssimo prazo. Faz parte da verba destinada aos vários projetos voltados para a retomada urbana do centro da capital paulista.


Moleza. Causaria um impacto extremamente positivo na região central e no chamado Baixo Augusta. É uma obra estratégica para a cidade, que diminuiria de imediato a insegurança que ronda a área. E daria alguma dignidade para a atual gestão.


A praça hoje é um lixo. Foi sendo degradada ao longo de anos de descaso e abandono. Já começou mal. Só uma mente doentia poderia criar um jardim de concreto, frio e desumano. Fica bem no início do famigerado Minhocão. Adivinha obra de quem é mais essa aberração urbanística? Bingo. Maluf.


É feia, suja, perigosa. Foi invadida por drogados, bandidos e moradores de rua. É uma minicracolândia. Desafio o prefeito a passar à noite por ela, sem seus seguranças. Seu destino seria o mesmo do dramaturgo.


Em seu entorno, de forma heróica, um grupo de artistas foi lá se instalando e, numa guerra de guerrilha, levantou teatros e bares repletos de gente jovem, inteligente e feliz. A companhia teatral Os Satyros, dos valentes Ivam Cabral e Rodolfo Vazquez, foi a pioneira desse movimento de resistência desarmada.


Ano que vem, em um edifício abandonado da praça, será implantada a SP Escola de Teatro, que funciona atualmente no Brás, na Zona Leste. É uma iniciativa dos Satyros patrocinada pelo governo do Estado. Sim, do Serra. O pai político do Kassab, o prefeito que nada fez. Nessa, ele vai ficar sozinho, sem álibi nem comparsas.


Um homem público se mede por suas obras. E por suas omissões. Muitas vezes, o que se deixou de fazer é mais determinante para se saber a grandeza de um homem. Ou sua pequenez. O Papa que se calou diante do nazismo. O presidente que nada fez para impedir a tortura nos porões do Estado. O prefeito que não revitalizou uma praça. E deixou um corpo lá, estendido no chão.

Fonte: Blog do Provocador


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publicado por Julio Falcão às 21:00
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