Blog do Julio Falcão

Maio 24 2009
Cidadania
Por Eduardo Guimarães

Vocês devem – ou deveriam – estar pela tampa com a imprensa golpista do eixo São Paulo-Rio com essa história que ela não pára de masturbar sobre o “risco à democracia” que estaria contido na intenção supostamente oculta de Lula de fazer aprovar de alguma maneira no Congresso (via PEC) proposta que lhe permita conseguir um terceiro mandato para si.

Apesar das reiteradas negativas do presidente, a imprensa não se satisfaz. Acha que é pouco ele dizer que não disputará terceiro mandato nenhum. Não diz claramente o que ele deveria fazer, mas explica uma vez e outra e mais outra quão danoso seria para a democracia mudar as regras do jogo com este em andamento, ou seja, permitir que um presidente altere a Constituição para poder disputar um novo mandato.

Essa ojeriza da imprensa a mudança constitucional que permita a um governante disputar mandatos consecutivos nas urnas também se manifestou estrepitosamente durante o processo recentemente ocorrido na Venezuela, no qual o presidente Hugo Chávez conseguiu o direito de disputar novas reeleições.

Atado a esta maldita memória que me tortura, porém, sou tomado de acessos de gastrite cada vez que leio ou escuto os empregadinhos das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita – bem como seus penduricalhos no resto da mídia – vituperarem contra mudança das regras do jogo com ele em andamento. Sofro o diabo com essa conversa fiada.

Sabem por que? É que me lembro do que essa mesma mídia dizia à época em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou a Constituição – inclusive por meio de compra de votos de deputados para votarem com o governo – a fim de poder se candidatar à reeleição.

Jornais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, entre outros, defendiam apaixonadamente a possibilidade de FHC recandidatar-se sob a mesma mudança das regras do jogo que agora esses veículos dizem ser “atentado à democracia”. E a justificativa era a vontade popular, que agora esses órgãos de imprensa dizem que não importa e que não mais justifica mudança constitucional.

Em 5 de janeiro de 1996, por exemplo, editorial da Folha intitulado “Reeleição Popular” propugnava nesse sentido. Vejam, abaixo, que “gracinha”.

“O apoio de três em cada quatro brasileiros à possibilidade da reeleição para o próximo presidente e futuros governadores e prefeitos mostra que a população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos que vem a se mostrar bons governantes. (...)

O argumento de que a reeleição ensejaria o uso eleitoral da máquina administrativa pelo mandatário – o candidato parece engajado. Afinal, esquece ingenuamente que a ‘máquina’ pode ser igualmente utilizada – como lamentavelmente ocorre amiúde – em prol do candidato de situação, mesmo que não seja ele o mandatário.

Uma eventual emenda de reeleição, ademais, evidentemente não muda a lei para manter um governante. Ela apenas permite que ele se recandidate. Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.”



Hoje, a mesma Folha de São Paulo não quer nem ouvir falar em projetos de lei sobre a realização de um plebiscito para perguntar ao povo se Lula pode ou não disputar um terceiro mandato, mas quando quem governava era FHC e era ele quem desejava mudar a Constituição para poder disputar um novo mandato, o jornal tinha outra opinião.

Leiam, abaixo, trecho do editorial da Folha de 9 de janeiro de 1997 intitulado, mui adequadamente, como “Casuísmo explícito”. Mas só leiam se tiverem estômago forte.


“Esta Folha há muito considera justo o direito de os governantes, inclusive os atuais, disputarem a reeleição. Mas a abrangência da questão, a total ausência de debates esclarecedores e a clara manipulação do tema, visando benefícios meramente eleitorais, tornam cada vez mais indispensáveis que o assunto venha a ser examinado em fóruns amplos e, em seguida, apreciado em plebiscito nacional”


Já o jornal carioca O Globo não queria perder muito tempo com o assunto. Em editorial de 26 de janeiro de 1997 intitulado “O preço da demora”, pedia que se aprovasse logo a emenda da reeleição de FHC para não atrapalhar seu magnífico projeto de nação, que dois anos depois quebraria de novo o Brasil e o faria peregrinar pelos organismos multilaterais de pires na mão.

Leiam e chorem.


“(...). Para essas mudanças são fundamentais as reformas estruturais em andamento: delas dependem a revisão da ação do Estado, enquanto os mecanismos de mercado se tornam cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros.

Tudo isso está suspenso, enquanto se debate a emenda da reeleição. Trata-se de uma questão política duplamente importante do ponto de vista econômico. Por um lado, a aprovação do direito de reeleição na prática significa a ampliação do horizonte das reformas; por outro lado, é um problemas que deve ser resolvido com rapidez, para que a classe política, o Executivo e o Congresso voltem a se concentrar na agenda das reformas.”



Como vocês vêem, a mídia só engana os desmemoriados, pois o passado dela a condena. Infelizmente, porém, desmemoriados, ao menos no Brasil, costumam ser maioria. E aqueles que, como eu, têm memória, que se danem.

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publicado por Julio Falcão às 20:16
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Maio 24 2009
Portal Luis Nassif

Publicado por wedencley alves em 15 maio 2009 às 16:42 em Mídia

Além do problema de o PSDB ter largado suas posições sociais-democratas e deixado uma avenida enorme para Lula e sua provável candidata, Dilma Rousseff, ocupá-la, a imprensa, no seu deslocamento para uma direita conservadora e às vezes radical, acabou colando sua imagem num político que, nem de perto, fazia este estilo. Os leitores de centro-esquerda e de centro-direita a imprensa já perdeu. Resta saber se José Serra continuará se descuidando deles.

É evidente que em relação a esta minha opinião, haverá objeções sobre se Serra em algum momento não foi uma versão paulista de Arthur Virgílio ou Álvaro Dias. Eu insistentemente direi que não. Serra nunca foi algo como um “PSDB de CPI”, sem agenda programática. Aparentemente é um político com idéias próprias, e que discorda de alguns dos rumos de seu partido (“Esses caras são loucos”, dizia ele sobre o boicote à CPMF).

Não se espera hoje de Serra uma posição de centro-esquerda, ou dele um político popular que “fale a língua do povo”. Mas ele chegou a ocupar, junto com Covas, as posições mais avançadas do partido nos anos 90. Por algum momento, tanto um quanto o outro eram vistos como a consciência crítica desta guinada neoliberal e anti-social do partido.

Com Lula no poder, a imprensa radicalizou sua retórica. Investiu loucamente numa caça às bruxas contra o presidente, e tudo que ele representa de imagem pública (sim, estou discutindo imagem pública, disputas retóricas, e não as questões de Estado e de governo em si mesmas).

Na guerra de opinião, Lula foi derrubando cada argumento: o terrorismo econômico, a impropriedade das redes de proteção social, a suposta inabilidade para questões internacionais. Ao longo deste tempo, a imprensa insistiu em lutar boxe, enquanto Lula sempre jogou capoeira.

O radicalismo que um dia pertenceu ao PT, e que levava a imprensa a chamar o partido de xiita, mudou de lado: aos poucos, não se sabia mais onde terminava o antigo PFL e onde começava o PSDB – perdeu a sobriedade, o equilíbrio, devido à percepção de que a oposição é aquela que escandaliza, exatamente o antigo equívoco do partido de Lula.

A menos de 18 meses das eleições presidenciais, a mídia anti-Lula (e anti-tudo que ele representa junto às muitas camadas da população brasileira) pode contaminar seriamente a campanha de Serra. Se eu fosse o candidato paulista, tentava desfazer correndo esta vinculação. A cada patinada da imprensa e da ala xiita do seu partido (como agora na campanha contra a Petrobras), o virtual candidato do PSDB poderia ocupar a mídia fazendo seu contraponto.

A cada condenação dos movimentos sociais, das políticas sociais, das medidas econômicas, ordinárias e excepcionais contra a crise, das decisões na política internacional, Serra poderia se colocar criticamente em relação ao governo, mas também em relação à visão estreita e mecânica da grande imprensa (que joga num binarismo muito precário e sem coerência).

O tempo corre. Serra pode perder muito se não descolar sua imagem do anti-lulismo que a imprensa insiste em praticar. A imprensa acredita piamente que as pesquisas de opinião são imutáveis. Aliás, acredita cada vez mais que ela sozinha é a opinião pública.

Serra, fora uma declaração a outra, está inerte, não reage, não se põe como contraponto da opinião da grande mídia. Parece em estado letárgico, entre acreditar numa carona da imprensa rumo ao triunfo, e desconfiar que esta má companhia decretará seu fracasso.

Eis os nove tópicos que fazem da mídia uma pedra no sapato de Serra:

1. A campanha sistemática contra o Bolsa Família, o Prouni e o PAC.
O governador de São Paulo deve deixar claro à população que não concorda totalmente com a permanente campanha da imprensa contra estas três iniciativas governamentais. Isto não quer dizer que siga exatamente a receita do Governo. Há questões a serem consideradas, observações críticas, necessidades de ajuste, o que enriqueceria o debate. Mas se trata de um suicido político esperar que a imprensa derrube estas bandeiras do Governo Lula. Recentemente, ao mesmo tempo em que o Globo vem publicando diversas matérias condenatórias ao Bolsa, o PSDB anunciou que vai apoiar o Bolsa Família em campanhas pelo Nordeste. Pode ser um começo. Mas é pouco.

2. A insistência em desqualificar o eleitor do Nordeste e o discurso de classe.
A defesa de posições absolutamente elitistas como as do Globo, no caso das remoções de favelas.
É lógico que o posicionamento preconceituoso contra regiões, classes sociais e pessoas praticado pela imprensa não é bom para Serra. Para piorar, a imagem de que o PSDB é um partido de ricos está muito assentada. Portanto, é necessário que o governador evite esta associação. Declarações públicas contra estes preconceitos podem salvar sua vida política.

3. A “imbecilização” dos ditos presidenciais.
A máxima de que tudo que Lula diz é um despropósito soa como desrespeito a quem apóia o presidente. Serra evidentemente deve e pode discordar do Governo, mas o eleitor percebe quando há pura e simplesmente antipatia e perseguição.

4. As posições neoliberais tardias e a indisfarçável torcida pela crise.
Recentemente, o Estadão publicou matérias e opiniões condenando a pesquisa do IPEA que mostrava que o Estado brasileiro não era tão inchado quanto sempre se propagou. É o ranço neoliberal, tardio e anacrônico, que ainda corre nas veias de nossos maiores veículos. Concursos públicos e valorização do funcionalismo público soam como veneno para o corpo da imprensa. Serra deve apresentar propostas claras para sua agenda de Estado. Se deixar a imprensa colar nele o receituário neoliberal, é morte política na certa.
Um outro problema que a grande mídia arranjou para Serra: ao torcer pela crise, a imprensa praticamente entregou à candidata de Lula uma bandeira política: “enquanto o governo torcera para que a crise fosse uma ‘marolinha’, a oposição lutou para que tivéssemos uma ‘tsunami’”; bandeira que se fortalecerá se o país sair bem da crise.

5. O unilateralismo internacional e o reconhecimento mundial de Lula.
Recentemente, Obama fez críticas à política de Uribe, que fecha os olhos para assassinatos de indígenas e sindicalistas, por parte de paramilitares, que não fazem qualquer questão de esconder sua simpatia pelo presidente colombiano. Absurdos como estes são absolutamente silenciados em nossa grande imprensa, que só enxerga demônios em Chavez, como se política internacional pudesse ser reduzido a um folhetim de segunda categoria com mocinhos e bandidos. Espera-se de um presidente que não seja novelesco assim. Para piorar, o reconhecimento internacional de Lula – como o prêmio da Unesco – mostra no mínimo a razoabilidade de seu desempenho. Hoje, entre a opinião de Obama e de um editorial da Folha, é lógico que o eleitor vai acreditar na opinião de Obama.

6. A associação com discursos preconceituosos e de conotação racista nos blogs de esgoto.
Há uma parte da imprensa que fica com o que há de pior e que não convém ser publicado nas páginas centrais: terrorismo de opinião, acusações levianas, mensagens de conotação racista e preconceituosa. Serra deve dispensar o apoio deste grupo de parajornalistas o mais rápido possível. Se puder, pedir encarecidamente que eles parem de publicar seu nome.

7. O discurso moralista raivoso, que se revela hipócrita quando confrontado com casos como o de Daniel Dantas.
O eleitor sabe perfeitamente que os moralistas se entregam mais cedo ou mais tarde. Boa parte da bancada de Daniel Dantas no Congresso é composta pelos mesmos que, volta e meia, defendem a moralidade e os bons costumes. Recentemente, a confusão das passagens mostrou que problemas atingem a todos os partidos, indiferenciadamente. Isso o eleitor sabe perfeitamente. Daí que uma espécie de “maldição da CPI” se abateu contra os personagens da época do "mensalão", e quase nenhum deles foi reeleito. Serra não pode esquecer disso. Deve se afastar do tom moralista na sua campanha.

8. Gilmar Mendes como "líder da oposição", o desprezo pelo “sujeito da esquina” e o apoio popular a Joaquim Barbosa, atacado pela mídia.
A imprensa fez o mau favor de proclamar Gilmar Mendes como “líder da oposição”. Logo depois do bate-boca no Supremo, a rede se encheu de manifestações de apoio ao ministro Joaquim Barbosa, mostrando a baixíssima receptividade pública de Gilmar, visto como elitista, arrogante e intrometido em questões que não lhe convém. Serra vai ter que mostrar que não compactua com nada que Gilmar defende.

9. A condenação das esquerdas e dos movimentos sociais.
Serra sabe que não dá para jogar uma banda ideológica inteira no lixo. Sabe que não basta somente se eleger. Recentemente, a Folha ofendeu gravemente a memória das esquerdas ao decretar que a ditadura fora uma “ditabranda”. A Folha apóia Serra, logo...
Dois meses depois de eleito, se sua popularidade for como a de Sarkozy hoje, será um governo penoso, triste, terminado antes do fim. E o fantasma de Lula rondará o Planalto em cada corredor, em cada sala, em cada pesquisa de opinião pública. A verdadeira, lógico.

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publicado por Julio Falcão às 20:00
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Maio 24 2009
São Paulo - A oposição teve na semana passada uma amostra do que vai ter de enfrentar na campanha eleitoral do ano que vem, na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo e o PT vão ressuscitar o discurso da “satanização” das privatizações e pespegar nos candidatos do PSDB e do DEM a pecha de “neoliberais”. A estratégia foi adotada abertamente pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e pelos sindicatos e movimentos sociais a pretexto de combater a CPI da Petrobras e defender a estatal do petróleo.

Diante desse discurso de apelo político forte, de programas sociais que se espalharam por todas as regiões e de uma popularidade inédita do presidente (acima de 70%), que será o cabo eleitoral número um da eleição, a oposição começa a estudar as brechas por onde vai fazer campanha.


Uma das estratégias, diz o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), é “expor e denunciar o aparelhamento partidário das instituições, como nunca antes aconteceu neste País”. No caso específico da Petrobras, ele diz que o PSDB vai propor a estatização da empresa. “O PSDB não vai privatizar a empresa, mas vai livrá-la dos interesses privados do PT, aliados, sindicatos e ONGs e devolvê-la à administração pública”, afirmou o senador.


A Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras foi criada a partir de um requerimento do senador tucano Álvaro Dias (PR). Para o ministro Bernardo, a oposição quer “desmoralizar a empresa” para privatizá-la no futuro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (AE)

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publicado por Julio Falcão às 11:37

Maio 24 2009
Da AE

Escutas feitas pela Polícia Federal identificaram a assessora do Governo do Rio Grande do Sul, Walna Willarins Meneses, como interlocutora de uma pessoa investigada pela Operação Solidária, que apura possíveis fraudes em licitações públicas.

A informação foi divulgada na edição de ontem do jornal Zero Hora, que teve acesso a trechos do inquérito. Partes dos diálogos, gravados nos dias 1º e 21 de julho de 2008, foram transcritas pelo diário gaúcho.

No primeiro trecho estão trechos em que a assessora da governadora Yeda Crusius, depois de saber que sua interlocutora Neide Bernardes, representante da Magna Engenharia, não iria a um banco naquele dia, quer saber se "aquele lá numa conta seria complicado" e recebe "é" como resposta.

Na sequência, a assessora pergunta: "Eu vou ter a tempo?" E Neide responde: "Eu te ligo em seguidinha." Em meio às falas do segundo diálogo, Walna diz que "teria que ser dois separados" e "preciso só 20". Ao final, Neide pergunta se deixa no mesmo lugar e a assessora responde "esse sim, e o outro do outro lado". No terceiro telefonema, Walna diz precisar de flores num arranjo só. "Tá bem", encerra a interlocutora.

Também citando relatório ao qual teve acesso, o jornal diz que analistas da Polícia Federal descreveram a situação como negociação de valores que teria sido feita por conversas cifradas. Ressalva, no entanto, que a negociação ainda não está esclarecida e que o caso segue em investigação.

O advogado da assessora, Norberto Flach, disse que a Polícia Federal fez interpretações especulativas e garantiu que sua cliente nunca tratou de recebimento de dinheiro. O advogado de Neide, Felipe Oliveira, não se manifestou alegando que, por determinação judicial, os documentos estão em sigilo.

Fonte: Diário do Grande ABC

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publicado por Julio Falcão às 11:30
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Maio 24 2009
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