Blog do Julio Falcão

Setembro 16 2010

O x-tudo da mídia golpista

 

Por Osvaldo Bertolino

 

Parece haver nas ações da direita brasileira de hoje cada vez mais coisas entre o céu, onde está a imaginação, e a terra, onde se vive a realidade, do que sonha a nossa vã filosofia. Pelas melhores regras do que se considera ser a ciência política, pela sabedoria acumulada nas academias e até pelas experiências do passado, tais e tais causas deveriam gerar tais e tais efeitos; desta ou daquela situação teria de resultar esta ou aquela conseqüência.

 

Mas não tem sido assim. Isso se deve à mais interessante inovação que a direita trouxe para o debate político: o Departamento de Gerência de Falsidades e Mentiras. Ou seja: a mídia.

 

É o que acontece agora com os factoides criados por algumas figuras teatrais e patéticas que tentam relançar o espetáculo circense do “mensalão” — esquema de captação de recursos para campanhas eleitorais por meio de “caixa dois” criado pela malta de corruptos que dominou a “era FHC”. O fato é que “o caso das violações” está ficando velho e um novo ato precisa ser encenado.

 

Surge, então, o “caso da Casa Civil”. O circo não pode parar. Esses “casos”, examinados de perto, mostram que, como na parábola do camelo da Bíblia, não levam nenhum dos acusadores a entrar no reino dos céus — ou, até, em lugares onde o ingresso exige méritos muito mais modestos.

O bicho teria menos trabalho para passar pelo buraco de uma agulha do que um desses acusadores para ser abrigado na morada dos justos. A calamitosa seqüência de truques para justificar as acusações que pesam contra as vítimas dessa execração pública inescrupulosa é uma prática que faz primeiro o sujeito perder a pose, depois o respeito e por fim qualquer condição de continuar falando em moral, ética e bons costumes. Mas nada disso parece incomodar os acusadores. É aí que reside a natureza didática do caso: eles se repetem tanto que acabam se tornando uns chatos, uns tolos.

 

Guerra do Vietnã


Nos países onde se vive sob a proteção das leis, o Poder Judiciário funciona como uma garantia para os cidadãos. Sua ação gera um ambiente de tranqüilidade, a expectativa de ordem e o conforto de saber que as decisões serão tomadas sempre de acordo com as mesmas praxes e critérios.

 

No Brasil, a mídia quer transformar essa vertente democrática em um fator de tumulto. Seus mandantes a todo momento interferem nos atos do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e do Poder Executivo. Eles invalidam leis que o Congresso aprovou, inventam regras novas no meio do jogo e decidem o que a Constituição quis ou não quis dizer a cada artigo.

 

A “comentarista” da rádio CBN Lúcia Hipólito, por exemplo, já avisou que a punição ao “escândalo da Casa Civil” tem de ser ”razoável”. O que será que ela e seus iguais consideram ”razoável”? Vai ser preciso adivinhar, ou perguntar a eles, ou, quem sabe, pedir que escrevam eles próprios novas leis para o país.

 

Se perguntados o que pretendem fazer, suas respostas certamente serão parecidas com aquela célebre explicação dada por um oficial norte-americano, durante a Guerra do Vietnã, após pulverizar uma aldeia acusada de abrigar guerrilheiros comunistas: ”Para salvar a aldeia, tivemos de destruí-la.”

 

O Brasil, como já se disse mais de uma vez, tem um dos piores sistemas de mídia do mundo — possivelmente o pior. Não é ruim o suficiente, porém, para as necessidades dos manda-chuvas de sempre — e mesmo de algumas personalidades do mundo político que se imaginam do mundo das artes cínicas… ops, cênicas — , que sempre combinam entre si uma tramóia para torná-lo ainda pior do que já é. Trata-se de uma manobra para retirar do eleitor, ou reduzir pela metade, o seu direito de escolher os nomes das autoridades públicas que gostaria de eleger.

Isso explica porque esses factoides são uma espécie de X-tudo. São enfiados ali, à medida que vão sendo encontrados, os ingredientes mais diversos e disparatados entre si — qualquer coisa serve, desde que faça volume. Entram “denúncias” requentadas, “denúncias” que estão paradas há tempos e “denúncias” que talvez um parlamentar oportunista faça algum dia. Nesse vale-tudo, a mídia vai se revelando como de fato ela é — uma máfia. O problema é que nada disso abala a credibilidade do governo e da candidata Dilma entre o povão.

 

Galinheiro


Pouca coisa, em resumo, está saindo como eles esperavam que saísse. Que razões haveria para isso tudo? Quando se coloca a pergunta, as respostas começam com um ”veja bem” — e a partir daí não se vê mais nada com clareza. Na melhor das hipóteses, seguem-se explicações que desvendam só um pedaço da charada.

 

Na maioria das vezes, o que se tem são análises difíceis de entender, defeituosas na lógica, contrárias aos fatos ou tudo isso ao mesmo tempo. Ao fim e ao cabo, fica-se na mesma. É um mistério, como a feira de Acari.

 

O Brasil está com um problema sério em sua democracia. Ele se chama ”comportamento da mídia”. Já existem fatos concretos para medir o tamanho deste problema — o que leva a duas certezas. A primeira é que ele não vai sumir do mapa político brasileiro tão cedo. A segunda é que dessa semente só vai germinar coisa ruim.

 

Já vemos uma crescente perturbação do ambiente democrático do país. Num momento em que potenciais infratores do Código Penal — como a revista Veja — tentam dar o tom à atividade política do país, é preciso considerar a intenção expressa por Dilma de ampliar os direitos do cidadão.

 

A experiência aconselha a dar atenção quando os chefes de Estado ou de governo querem ampliar os direitos públicos. Quem fala em ampliar direitos está dizendo que quer mexer neles — e quando se mexe em direitos muitas vezes eles acabam ficando menores para alguns para ficarem maiores para outros. Isso explica, de forma cabal, a essência da recorrente crise política brasileira. Ou seja: os métodos que as raposas utilizam na luta para retomar a chave do galinheiro.

Fonte: Barão de Itararé

publicado por Julio Falcão às 23:39
Tags:

Setembro 16 2010

Significado de Patife

adj. e s.m. Que ou aquele que tem procedimento desonesto e aproveitador; velhaco, maroto, biltre, bandido, desavergonhado, sem-vergonha, mau-caráter.

 

 

 

A Folha é podre. Não pode ser perdoada. Esse lixo engana a sociedade para que não perca o direito de continuar enganando.

 

Há muito adotou o jornalismo patife.

 

Se eu anunciasse nessa merda, sairia rapidinho desse esgoto. Deixava-os à própria sorte e competência.

 

Sou a favor que se faça bicote aos produtos que são anunciados por lá.

 

Meu amigo LEN, do excelente Blog do LEN, já mostrou no post - Quem financia o jornalismo “limpinho”, “isento” e “livre” - alguns dos anunciantes/financiadores desse esgosto chamado PIG.

 

Precisamos denunciar quem são, espalhar seu nomes.

 

Vejam abaixo exemplo claro de jornalismo patife:

"Denúncia" da Folha cai no ridículo após nota do BNDES

Por Cláudio Gonzalez

 

A pressa da mídia em fermentar escândalos contra o governo --e, de tabela, atingir a candidatura de Dilma Rousseff-- fez valer o ditado popular que diz que o "apressado come cru". Em nota à imprensa, o BNDES esclareceu o caso que foi manchete da Folha nesta quinta-feira e desmoronou a "denúncia" do jornal. Mais do que isso, expôs a Folha ao ridículo ao demonstrar, de forma simples, que só quem "desconhece totalmente" como funciona o Banco poderia acreditar numa acusação tão estapafúrdia.

 

Em síntese e traduzindo em termos comuns, o que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse à Folha foi o seguinte: é preciso ser muito desinformado ou agir com descarada má-fé  para acreditar que uma instituição como o BNDES liberaria R$ 2,25 bilhões (ou R$ 9 bilhões na versão-fantasia da Folha) para uma empresa de pequeno porte só porque ela contratou uma consultoria que "prometeu" ajudar na liberação do dinheiro, sem apresentar projetos, sem agendar reuniões, nem nada.

Mas a Folha de S. Paulo, do alto de sua arrogância e desprezo à inteligência alheia, achou que seus leitores acreditariam na história, tanto que elevou a "denúncia" à condição de manchete principal do jornal. E com um agravante: a única "fonte" da Folha é um "empresário" que passou dez meses na prisão dois anos atrás.

Segundo informações da própria Folha, o acusador Rubnei Quícoli já foi condenado duas vezes em São Paulo (por interceptação de carga roubada e por posse de moeda falsificada). E em 2007 passou dez meses preso. O fato de antecipar as denúncias sobre sua fonte não absolve o jornal. Pelo contrário, é agravante. Quando uma pessoa com tal currículo faz uma denúncia, é praxe de qualquer jornalismo sério ouvir as denúncias e exigir a apresentação de provas. Mas a Folha achou que o "acusador" era idôneo o suficiente para atacar o governo.

A única prova que o tal consultor apresenta é um email marcando audiência na Casa Civil e que tem o nome de Vinicius Oliveira no C/C (com cópia). Ou seja, a Folha sustentou uma denúncia que envolve cifras da ordem de "bilhões" de reais com base numa troca de e-mails.

Segundo a "denúncia" do jornal, a emprea EDRB do Brasil Ltda. teria sido instada a "pagar propina" para os sócios da empresa Capital Consultoria --entre eles o filho da agora ex-ministra Erenice Guerra, Israel Guerra-- para tentar viabilizar o empréstimo de "R$ 9 bilhões" junto ao BNDES para a construção de um "projeto de energia solar".

Para pedidos dessa ordem, em geral os pretendentes a financiamento procuram dirigentes do banco e fazem uma exposição do projeto, assim como de sua empresa e do que pretende fazer. No entanto, esse pedido foi simplesmente deixado no protocolo do banco, na portaria da sede. Não houve o comparecimento de diretores da tal empresa. E não havia a menor possibilidade do projeto ser aprovado. O porte da empresa era incompatível com o financiamento pretendido. Sequer se tinha o local onde deveria ser instalado o tal empreendimento.

Veja abaixo o comunicado do BNDES que colocou o "jornalismo" da Folha de S. Paulo na lata do lixo:

Em função de reportagem publicada na edição desta quinta-feira, 16 de setembro, do jornal Folha de S. Paulo, o BNDES vem a público declarar que:

Repudiamos a insinuação de que o Banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES. O projeto em questão foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do BNDES, órgão interno do Banco, formado por seus superintendentes. A aprovação por esse colegiado é condição básica e necessária para que qualquer pedido de apoio financeiro seja encaminhado para análise.

Na reunião semanal do Comitê ocorrida em 29 de março deste ano — e na qual o projeto em questão foi apenas um dos itens discutidos —, o pedido foi negado. A decisão foi tomada pelos 14 superintendentes presentes à reunião, todos funcionários de carreira da instituição.

O projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito.

Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à Diretoria do Banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado.


Fonte: Vermelho

publicado por Julio Falcão às 22:55
Tags:

Setembro 16 2010

publicado por Julio Falcão às 00:19
Tags:

Setembro 15 2010

publicado por Julio Falcão às 00:13
Tags:

Setembro 13 2010

Os porões da privataria


Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.


Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …


Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.


A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.


(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).


O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.


A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.


O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.


O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.


Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.


Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.


Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.


De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.


Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…


Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.


(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.

(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

Fonte: Conversa Afiada

 

Não deixem de ler no Conversa Afiada: Amaury repete à PF que não violou sigilo. Dados da filha de Serra são públicos

publicado por Julio Falcão às 20:46
Tags: ,

Setembro 13 2010

Por paulohenriquedelima

 

publicado por Julio Falcão às 00:01

Setembro 12 2010

Destrinchando a "bala de prata"

Nos bate-papos pelo Twitcam, tenho procurado explicar como se montam dossiês e falsificações de notícias na velha mídia.

Como já relatei em minha série “O caso de Veja”, e tenho feito em relação a inúmeras “denúncias” plantadas especialmente pela Veja, tendo a Folha a reboque, o centro dessas matérias é a confusão informacional. Juntam-se alguns fatos verdadeiros, porém não centrais, com suposições graves, porém não comprováveis e explicações técnicas incorretas, para esquentar as denúncias.É a chamada "mixórdia informacional", em que se jogam tantas informações desencontradas, descosturadas (muito por incapacidade de repórteres de juntar dados), que prevalece apenas a manchete.

 

Depois, quando começa o questionamento sobre a veracidade das informações, apresentam-se os fatos verdadeiros, que não são suficientes para comprovar as acusações graves.

 

Vamos a esse caso ANAC-MTA-Correios.

 

Existe uma denúncia anterior, amplamente divulgada pela mídia, sobre o favorecimento à MTA Linhas Áereas pelo conhecido Coronel Quá-Quá, Eduardo Artur Rodrigues da Silva, dos Correios. E, agora essa, sobre o suposto envolvimento de Erenice Guerra, Ministra-Chefe da Casa Civil.

Colei as matérias da Folha na sequência e estou incluindo marcações para cada parte da matéria a que me refiro.

 

(1) Rodrigues da Silva (o acusado de beneficiar a MTA nos Correios) diz que o filho de Erenice foi contratado para apressar a liberação dos vôos pela Anac.

 

Fala-se em “taxa de sucesso” (2) caso a intermediação fosse bem sucedida (intermediação paa quê?). E informa-se que o rapaz atuava na “organização de documentação da empresa”. Pelas informações posteriores, o rapaz teria sido contratado para um trabalho de despachante.

Meio solta, está a explicação de que a empresa enfrentava problemas por estar com a certidão do INSS vencida. E para isso contratou uma assessoria para agilizar a entrega da certidão, já que se corria contra o relógio. (4). O filho de Erenice teria atuado, então, como despachante para agilizar a documentação do INSS, segundo informações objetivas (não dedutivas) da matéria.

 

Não explica o contrato com Bacarat e a tal "taxa de sucesso". Pela própria matéria da Folha, a liberação dos vôos pela ANAC era automática e dependia apenas de documentos mostrando a regularização fiscal da empresa.

 

Vamos ver o que a reportagem traz de objetivo sobre o papel de Erenice e o suposto pagamento de propina.

 

Bacarat afirma jamais ter negociado com Erenice (3) . Na matéria da Veja se falava até em rituais para essas conversas: ele entraria no apartamento sem celular, caneta, nada que pudesse registrar o encontro. Mais: (5) "Se houvesse algum trabalho, pleiteado, haveria [pagamento à empresa de Israel]. Mas como não teve nada, não se fez."

 

Outra fonte (6) é justamente  diretor dos Correios acusado de ter beneficiado a MTA, denúncia fartamente explorada pela imprensa semanas atrás, focando o tal coronel Quá-Quá

 

Em cima dos fatos


Vamor dividir as informações publicadas em dois grupos: as informações objetivas (não necessariamente verdadeiras, mas aquelas que têm fonte conhecida) e as deduções:

 

A partir desses anos, vamos à versão mais plausível plausível dessa história:

 

1.     Um típico lobista brasiliense, Fábio Bacarat, aproxima-se do filho de Erenice e passa a utilizá-lo como trunfo para trabalhos de lobbies junto à empresa.

 

2. Pelos poucos dados sobre o rapaz (morador da periferia de Brasilia, dono de uma microempresa), está longe de se constituir no lobista típico de Brasília.

 

3. Bacarat é o elo. Trata com a MTA em nome do rapaz; e com o rapaz, em nome da MTA. Para a MTA, Bacarat acena com uma "taxa de sucesso". Não se sabe exatamente para quê, já que a renovação da licença junto à ANAC parecia automática. Aparentemente, seria para poder vender a empresa para outro grupo, que poderia estar em dificuldades financeiras. Ele receberia a comissão por isso. Com o filho de Erenice, Bacarat acenava com contrato de despachante (atualização dos dados cadastrais no INSS).

 

5.   Qual o trabalho oferecido por Bacarat à MTA? Certamente não era o de renovação do seu contrato de concessão. Pela matéria da própria Folha, trata-se de renovação automática. Provavelmente a empresa estava em dificuldades e precisaria de algum trabalho de lobby para ser vendida para algum comprador que poderia enfrentar problema na ANAC. Depois, quando conseguiu os contratos dos Correios (através do Coronel Quá-Quá, que fazia parte do esquema nos Correios  desbaratado recentemente), o trabalho de Fábio deixou de interessar. Será que haveria necessidade de lobby para autorizar os Correios a ampliar o número de vôos da MTA? Ponto a se investigar.

 

6.  Seja qual for o trabalho oferecido por Fábio, segundo ele não houve nenhum pagamento, porque nenhum serviço foi prestado. Ou seja, o objetivo do suposto lobby (conseguir a adesão da Erenice) não se concretizou, segundo a única testemunha ouvida pela Veja.

 

Os procedimentos da ANAC


Vamos agora aos procedimentos da ANAC em relação à MTA:

 

1.     O título da matéria da Folha “Contra parecer, Anac beneficiou empresa” é desmentido pelo próprio texto. A diretoria deu parecer contrário porque não havia comprovação de regularização junto ao INSS. Quando apresentou o certificado, a diretoria aprovou por unanimidade. (4).

 

2.     A mudança do prazo de concessão, de três para dez anos, foi estendida a todas as empresas do ramo.

 

3.     Aí apareceram os contratos nos Correios – já denunciados pela mídia como tendo participação direta do tal coronal Quá-Quá. A única ligação com Erenice é o fato da Casa Civil ter aprovado sua indicação para os Correios. A Folha malicia dessa informação. Todas as indicações para cargos comissionados passam pela Casa Civil, que assina o documento autorizando. O jornal intencionalmente confunde a assinatura com a indiacação. É jogada primária, que pega leitores desinformados. O único ponto de dúvida sobre a ANAC, é se, para a MTA ampliar seus vôos pelos Correios, houve alguma concessão não-usual pela ANAC.

 

A versão da Veja


Na matéria da Veja, se colocam entre aspas outras afirmações de Bacarat:

 

“Fui informado de que, para conseguir os negócios que eu queria, era preciso conversar com Israel Guerra e seus sócios”, relata a VEJA Fábio Baracat, empresário do setor de transportes que, no segundo semestre do ano passado, buscava ampliar a participação de suas empresas nos serviços dos Correios. Baracat seguiu o conselho em aproximar-se de Israel, que, depois de alguns encontros preliminares, levou-o para um primeiro encontro com sua mãe. Nessa época, Dilma Rousseff ainda era a titular da Casa Civil e Erenice, seu braço direito. "Depois que eles me apresentaram a Erenice, senti que não estavam blefando", conta Baracat - que teve de deixar para trás caneta, relógio, celular ─ enfim, qualquer aparelho que pudesse embutir um gravador ─ antes da reunião.


O empresário contratou os préstimos da Capital Assessoria e Consultoria, e passou a pagar 25 000 reais mensais, sempre em dinheiro vivo, para que Israel fizesse avançar seus interesses em órgãos do estado. Se os negócios das empresas de Baracat se ampliassem, uma "taxa de sucesso" de 6% seria paga.


Houve mais encontros com Erenice. No último deles, em abril deste ano, quando ela já havia assumido o ministério - o mais poderoso na estrutura governamental, sempre é bom lembrar - registrou-se um diálogo, no mínimo, curioso. Incomodada com o atraso de um dos pagamentos, disse Erenice: "Entenda, Fábio, que nós temos compromissos políticos a cumprir." A frase sugere que parte do dinheiro destinado a Israel Guerra era usada para alimentar o projeto de poder do grupo que hoje ocupa o governo.


"Alimentar o projeto de poder" é piada. Quem tem o governo na mão, trata com as maiores empresas do país, com os maiores fornecedores do Estado, não com lobistas de porta de botequim.

 

Mas há acusações graves que precisam ser checadas: se ele de fato falou isso à revista (e foi gravado), em que circunstâncias ele falou e quais os elementos de prova acerca do pagamento dos 6% de comissão. Se houve pagamento (e para quê), se foi afirmação de um lobista boquirroto, sem comprovação (a revista nunca foi seletiva para usar informações de fontes).

 

Quando Diego Escostegui fala em conversas gravadas, há que se separar o que da conversa confirma o acessório e o que confirma o fundamental. Dizer que tem “conversa gravada” não significa nada, em princípio.

 

O tal Bacarat pode ter falado na ligação com o filho da Erenice, no fato da empresa tê-lo contratado como despachante, até no oferecimento da taxa de sucesso, pode até ter se jactado de ligações com Erenice.

 

A gravação teria alguma relevância se afirmasse que o trabalho foi feito e a propina paga e apresentasse as provas.

As matérias da Folha

Filho de sucessora de Dilma teria feito lobby

Diretor dos Correios e consultor confirmam que Israel, filho de Erenice Guerra, intermediou negócios com estatal

Revista "Veja" apontou empresa da qual é sócio outro filho da ministra como intermediadora de empresas no governo

DE BRASÍLIA

(6) O diretor de Operações dos Correios, Artur Rodrigues da Silva, e o consultor Fabio Baracat apontaram ontem à Folha o filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, como intermediador de negociações e contratos entre uma empresa privada e o governo federal.

Erenice sucedeu a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, de quem era o braço direito na pasta.

Reportagem da revista "Veja" desta semana mostra que Israel Guerra e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA Linhas Aéreas a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que permitiu, mais tarde, um contrato em condições privilegiadas com os Correios.

A revista diz que foi Erenice quem viabilizou o sucesso da atuação do filho. Segundo a reportagem, o dinheiro pago na intermediação teria sido citado pela ministra como necessário para cumprir "compromissos políticos".

Em nota oficial, Erenice classificou a reportagem de "caluniosa", mas o envolvimento de Israel foi confirmado à Folha por dois participantes das negociações com a Anac e os Correios.

(1) Rodrigues Silva disse que a Capital foi contratada pela MTA (Master Top Linhas Aéreas) no final do ano para apressar a liberação de seus voos pela Anac.

Segundo a Junta Comercial de Brasília, a Capital está registrada em nome de Saulo Guerra, outro filho de Erenice, e de Sônia Castro, mãe de Vinícius Castro, assessor da Casa Civil. A "Veja" afirma que os donos são "laranjas" de Israel e Vinícius.

Representante da MTA na época, Baracat diz que era com Israel que os entendimentos eram travados. O filho de Erenice, segundo ele, receberia remuneração se a operação tivesse sucesso.

(2) "Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra, como profissional que atuava na organização da documentação da empresa para participar de licitações, cuja remuneração previa percentual sobre eventual êxito, o qual repita-se, não era garantido", disse Baracat à Folha.

(3) Baracat disse ter conhecido Erenice, mas negou ter discutido negócios com ela. Segundo a "Veja", eles teriam se encontrado quatro vezes para negociar os interesses da MTA.

 

Contra parecer, Anac beneficiou empresa


Renovação de concessão da MTA foi dada pela presidente da agência em quatro dias, apesar de diretoria ser contra

Entre liberação da Anac e assinatura de contrato com Correios, empresa era representada por atual diretor da estatal


Esse título é falso. A própria matéria diz que a diretoria da ANAC negou inicialmente por falta de documentação. E aprovou quando a documentação foi entregue.


DE BRASÍLIA

A presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Solange Vieira, contrariou decisão da diretoria da agência e beneficiou a empresa MTA, apontada como contratante dos serviços de consultoria do filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra.

 

A renovação da concessão saiu em quatro dias, mesmo com parecer contrário da diretoria da agência.

 

Em 15 de dezembro, a Anac havia negado a renovação em razão da "ausência da comprovação de regularidade previdenciária". Porém, no dia 18, a presidente da Anac concedeu a renovação estendendo o prazo de três para dez anos. (4)

 

O ato da presidente da Anac foi referendado pela diretoria duas semanas depois. Segundo a assessoria da Anac, Solange concedeu a renovação porque a MTA apresentou a papelada exigida pela burocracia do órgão.

 

Olha a comprovação da mentira do título no próprio texto da matéria.


A renovação por dez anos foi uma mudança de entendimento da diretoria que se estendeu para todas as demais empresas do ramo.

Após conseguir a liberação, a MTA fechou neste ano um contrato com os Correios de R$ 19,6 milhões, sem licitação e com privilégios: permite que a companhia aérea leve cargas de terceiros além do material dos Correios nas viagens, tornando mais lucrativo o negócio.

 

Segundo a Folha apurou, este é o único contrato que permite a carga compartilhada. As demais empresas que atendem aos Correios operam com carga exclusiva.

 

A empresa ganhou neste ano quatro contratos nos Correios no valor de R$ 59,6 milhões, para o transporte de carga aérea. Três foram por pregão eletrônico e somam R$ 40 milhões. O quarto é o de R$ 19,6 milhões.

 

Entre a liberação na Anac e a assinatura do contrato com os Correios a MTA era representada por Artur Rodrigues da Silva, que depois se tornou diretor de Operações dos Correios em agosto por indicação da Casa Civil.

 

Outra leviandade: cabe à Casa Civil assinar TODAS as indicações a autarquias, agências reguladoras e cargos comissionados. Há uma enorme diferença entre assinar e indicar. O jornal joga com essa dubiedade para forçar a barra.


Segundo a revista "Veja", o consultor Fábio Baracat, ligado à MTA, teria negociado esses contratos com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, graças a atuação de Israel Guerra, que não foi localizado pela reportagem.

 

A intermediação teria rendido uma propina ao filho da ministra, segundo a "Veja".

 

Em entrevista à Folha por telefone, Baracat afirmou que o negócio entre MTA e Israel não prosperou. "Se houvesse algum trabalho, pleiteado, haveria [pagamento à empresa de Israel]. Mas como não teve nada, não se fez." (5)


"Não se chegou a falar em percentual", disse o consultor. Ele afirmou que, no final do ano passado, aproximou-se da direção da MTA para tentar adquirir parte da empresa. Disse que realizou um plano de negócios, com vistas à parceria, mas que há três meses desistiu da ideia.

 

Em nota, Baracat declarou se sentir "um joguete". "Acredito que tenha contribuído com o esclarecimento dos fatos, na certeza de que fui mais uma personagem de um joguete político-eleitoral irresponsável do qual não participo", disse.

 

Segundo a "Veja", reuniões com clientes da Capital aconteceram em um escritório de advocacia em Brasília que tem como sócio Márcio Silva, que integra a coordenação jurídica da campanha de Dilma Rousseff.

 

Silva disse à Folha que desconhecia a existência da empresa Capital e das eventuais atividades profissionais de Israel. Disse que é amigo de Erenice e do irmão dela, Antonio, que foi sócio do escritório até março deste ano.

 

Silva disse não saber se Antonio cedeu o espaço ao sobrinho, e que a única conversa profissional que teve com Israel foi sobre uma empresa de Minas que estaria precisando de advogado. (ANDREZA MATAIS, RUBENS VALENTE, FILIPE COUTINHO E LEILA COIMBRA)


Diretor de estatal diz que contrato foi emergencial


DE BRASÍLIA

Diretor de Operação dos Correios, Eduardo Artur Rodrigues Silva, disse que a Capital Consultoria e Assessoria foi contratada pela MTA (Master Top Linhas Aéreas) para "agilizar" a renovação da concessão da empresa na Anac. Na época, ele era gerente da Martel Assessoria e Consultoria Aeronáutica, que entre seus clientes tem a MTA. (AM)


Folha - Que tipo de serviço a Capital fez para a MTA? Eduardo Artur Rodrigues Silva - Em dezembro do ano passado a Anac suspendeu os voos da empresa porque uma certidão [que comprova pagamento de imposto] estava vencida. Eles [MTA] nos informaram então que contrataram uma assessoria em Brasília para agilizar o procedimento na Anac. (4)


Por que contrataram uma outra consultoria se já tinham contrato com a consultoria do senhor?
Disseram que embora a Martel tenha filiada em Brasília, só tem uma funcionária, então contrataram consultoria para ajudar. Antes de mandar para a Anac, por solicitação da MTA, essa consultoria mandou e-mail para que a Tatiana [filha de Silva e diretora da Martel] desse uma olhada no expediente porque ela é especializada em direito aeronáutico.

 

Por que era preciso "acelerar" a renovação da concessão da empresa?
A certidão venceu numa semana de pico para o setor e a empresa parou de operar. Como estavam desesperados, eles [MTA] contrataram uma consultoria em Brasília.

 

Após renovar a concessão, a MTA conseguiu um contrato milionário com os Correios sem licitação.
Em dezembro, a TAF Linhas Aéreas, que tinha dois aviões operando para os Correios, teve problema com as aeronaves. Em janeiro, a Total Linhas Aéreas teve dois aviões parados pela Anac e em fevereiro uma outra empresa foi considerada inidônea. Por isso tiveram que fazer contrato de emergência.

 

O sr. tratou da MTA com a ministra Erenice Guerra ou com o Israel, filho dela?
Eu vi a doutora Erenice duas vezes na vida. O Israel não sei quem é.

 

O sr. era o procurador da MTA. O sr. disse que quem fez esse trabalho na Anac foi a Capital. Qual a relação entre a MTA e a Martel?
Fui procurador da MTA e renunciei em maio. A MTA informou que tinha uma consultoria em Brasília que estava ajudando a renovar o funcionamento jurídico. Para atender o nosso cliente, olhamos o documento que a Capital estava fazendo.

Fonte: Luis Nassif Online

publicado por Julio Falcão às 12:18
Tags:

Setembro 11 2010

Por dfrevolutions

 

publicado por Julio Falcão às 01:51

Setembro 11 2010

Por cibellerenata

 

publicado por Julio Falcão às 00:49
Tags: , ,

Setembro 11 2010

Em 2002, Noblat já dizia a Serra: às favas com os escrúpulos

Por Brizola Neto

 

Para quem está estranhando os “conselhos” do jornalista Ricardo Noblat ao candidato José Serra, reproduzo um artigo dele, de 2002, ainda no Correio Braziliense, onde dizia como deveria o então candidato tucano à sucessão de Fernando Henrique Cardoso agir na campanha eleitoral contra Lula. Os grifos são meus.

 

“Goste-se ou não do que está fazendo José Serra no segundo turno, ele está fazendo tudo certinho, tudo de acordo com apuradas análises de pesquisas de intenção de voto e as leis universais do marketing político. Um candidato na situação dele e que acha só ter essa chance de se eleger presidente da República, tem de fato de deixar os escrúpulos de lado e partir para cima do adversário. Mais ainda se está a anos-luz de distância dele na preferência dos eleitores.


Serra tem de provocar Lula, sim, para debates. Tem que fazer isso diariamente. E tem que usar a Regina Duarte, sim, para assustar as pessoas insinuando que uma possível eleição de Lula trará de volta a inflação e desestabilizará o país. O próprio Serra terá de insistir na comparação do Brasil de Lula com a Venezuela de Hugo Chaves (sic), sem se importar com o fato de que presidente algum na América do Sul deu mais força a Chaves do que Fernando Henrique Cardoso.


O candidato do governo tem de passar ao largo dos problemas deixados por Fernando Henrique ao seu sucessor e se concentrar naqueles que a administração do PT enfrenta em diversas capitais como Porto Alegre, São Paulo e Recife. Falar dos problemas que Fernando Henrique não conseguiu resolver em oito anos é tarefa de Lula. A tarefa de Serra é falar dos problemas que os aliados de Lula não resolveram, não estão sabendo resolver ou são incompetentes para resolver.


A essa altura, Serra parece pouco se lixar até mesmo para eventuais problemas que ele possa estar criando e que complicarão ainda mais o desfecho do governo de Fernando Henrique. E ele está criando, sim. Ou agravando os problemas atuais. Pela delicadeza do cenário econômico interno e externo, é perigoso um candidato acenar com o caos na hipótese de vitória de outro. O perigo cresce se o profeta do caos tem o apoio do governo, da maioria dos empresários e dos investidores internacionais.


Foi por ter-se dado conta do risco embutido no recente discurso de Serra que Fernando Henrique se apressou em dizer que as instituições do país são sólidas. E que o país não sairá dos trilhos ganhe quem ganhar. Quer dizer: mesmo que Lula ganhe, Fernando Henrique não antevê o caos que Serra diz se esconder logo ali na esquina. A poucos dias da nova eleição, foi Serra e não Lula quem se tornou uma ameaça ao plano de Fernando Henrique de promover uma pacífica transição do poder.”


É preciso comentar?

 

o original pode ser acessado pelo link: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/publicacoesdonoblat.asp

Fonte: Tijolaço

publicado por Julio Falcão às 00:22
Tags:

mais sobre mim
Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
19
21
22
23

24
25
26
27
28
29



Blog no mundo
pesquisar