Blog do Julio Falcão

Julho 27 2010

Por: Equipe InfoMoney

 

SÃO PAULO - O último relatório Focus, de 29 de março de 2010, traz a seguinte projeção de consenso do mercado: ao final de 2010, a conta corrente do Brasil, que traz a diferença entre as os fluxos de bens e serviços frente ao exterior, deve estar deficitária em US$ 50 bilhões – ou seja, o Brasil possui déficit, neste critério, de US$ 50 bilhões com o “resto do mundo”.

 

Há aproximadamente um ano, no relatório de 27 de março de 2009, o mercado apontava para déficit de US$ 23,60 bilhões na mesma conta em 2010, mostrando que as projeções para o desequlíbrio em conta corrente mais duplicaram no período.

 

Mas, afinal, o que significa esse déficit? Mais do que isso: que consequências ele tem para a economia brasileira?

 

O professor da Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), José Luiz Rossi Júnior, explica que as transações correntes trazem a diferença entre poupança nacional e o quanto o país investe.

 

Assim, um déficit significa que o país investe mais do que poupa.

“Acontece por vários motivos, quando as pessoas estão consumindo mais, ou a poupança do governo está baixa. Isso tudo tem que ser financiado. Neste caso, o mundo está financiado o Brasil, através da entrada de capital”, afirma o professor.

 

Na mesma linha, o analista da Tendências Consultoria, André Sacconato, explica que déficit nada mais é do que importar poupança externa. “Há várias formas de financiar o consumo: empréstimos, títulos de renda fixa, IED (investimento externo direto) e bolsa, sendo que os últimos dois são os principais atualmente”, afirma.

 

O professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Carlos Eduardo Gonçalves, explica que desde 2005 as contas nacionais mostram uma deterioração na conta corrente, causada por uma piora na poupança doméstica. “Quando você poupa menos, para financiar o investimento, precisa vir poupança de fora. Quando vem poupança de fora, ela aprecia a taxa de câmbio, e isso gera um déficit em conta corrente”, explica.

 

Assim, o déficit é como um espelho da maior entrada de capital. “A piora que estamos vendo, e que vamos continuar a ver nos próximos anos, vem de um aumento do investimento, O investimento vai continuar crescendo, e como a poupança pública e privada são baixas, você financia esse investimento com entrada de capitais”.

 

Déficit não preocupa


Tanto os professores da FEA-USP e do Insper como o analista da Tendências consideram que o déficit não é preocupante.

 

“Estamos financiando crescimento econômico, em parte com poupança vinda do exterior”, enfatiza Carlos Eduardo, completando que “isso passa a ser preocupante em emergentes sobretudo quando esse endividamento é muito grande, o que não corresponde ao cenário brasileiro atual”.

 

“Há um certo medo, porque é um aumento do passivo do país com o exterior e maior dependência do capital externo para fechar as suas contas. Além disso, historicamente, momentos de déficit foram seguidos de crise”, lembra o professor do Insper, que entranto acredita que a situação agora é diferente, motivo pelo qual o déficit não o preocupa. “Pela primeira vez vivemos um período de câmbio flexível, que de certa maneira pode atenuar esse déficit”, explica.

 

Na última nota do setor externo divulgada pelo Banco Central, de 22 de março, referente ao mês de fevereiro, as transações correntes mostraram déficit de US$ 3,3 bilhões no mês, acumulando US$ 28,1 bilhões de déficit nos últimos doze meses – o que equivale a 1,66% do PIB (Produto Interno Bruto).

Fonte: InfoMoney

 

Para saber como foi grave o desequilíbrio em transações correntes registrado pela economia brasileira na segunda metade da década de noventa, click Aquí.

publicado por Julio Falcão às 01:35
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